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quinta, 30 julho 2015 15:42

Apresentação pública da Proposta de Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional do Buçaco

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Hoje, dia 6 de julho, a Fundação Mata do Buçaco, apresentou a proposta de Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional do Buçaco (PGF). Este é um instrumento fundamental para uma gestão sustentada da Mata do Buçaco.

A apresentação da Proposta de Plano de Gestão Florestal decorreu no Salão Nobre do Palace Hotel do Bussaco e contou com a presença do Presidente do Conselho Diretivo da Fundação Mata do Buçaco, F.P., Engº. António Gravato, do Presidente da Câmara Municipal de Mealhada, Dr. Rui Marqueiro, do Vice-Presidente do ICNF e Vogal não executivo do Conselho Consultivo da FMB, Engº. João Pinho, e do Professor Francisco Castro Rego, Coordenador do Centro de Ecologia Aplicada Professor Baeta Neves do Instituto Superior de Agronomia.

A implementação do PGF traz vantagens significativas à Mata do Buçaco tanto ao nível de gestão e de uma valorização económica e ambiental como ao nível de candidaturas a apoios por ser, em muitos casos, um instrumento obrigatório.

Com o PGF é possível planear da melhor forma a gestão da Mata, avaliando alternativas, identificando oportunidades e ameaças, prevendo custos e receitas, otimizando assim os resultados da exploração.

Este instrumento operacionaliza as orientações estratégicas contidas no Plano Regional de Ordenamento Florestal (PROF) do Centro Litoral, desempenhando um papel crucial no processo de melhoria e gestão das áreas florestais da Mata Nacional do Buçaco.

A sua elaboração representa um passo importante na incorporação de diretivas de planeamento regional, fundamentadas em conceitos técnicos para a condução destes mesmos espaços, acompanhando a validade do PROF para a sub-região homogénea Entre Vouga e Mondego, bem como de outros planos de enquadramento regional e local.

A elaboração do PGF esteve a cargo do Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", uma unidade de investigação do Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa e tem a assinatura do Professor Francisco Castro Rego, uma referência a nível nacional, na área da gestão e conservação dos ecossistemas florestais assim como na área dos fogos florestais.

Segundo o Professor Francisco Castro Rego, a Mata do Buçaco não é um objeto comum: “tem uma componente de bosque e uma componente sacra, muito diferente de outras florestas”.

Ao apresentar esta proposta de PGF, o Professor Castro Rego realçou aspetos da Mata, tais como a água como um elemento fundamental, a diversidade da fauna, e a variedade de plantas e árvores que trouxeram à Mata botânicos reconhecidos de toda a Europa. No entanto, realçou também que as excelentes condições de instalação de espécies florísticas, por vezes são desfavoráveis, uma vez que também permitem a instalação e proliferação de espécies exóticas invasoras.

Está também previsto a elaboração de um DFCI, (Defesa da Floresta Contra Incêndios) já criado em 2007 no Plano de Ordenamento e Gestão (POG), ao qual se pretende efetuar uma revisão, para a  introdução de  melhorias.

O PGF foi a presentado com recurso a representações de imagens e documentos com séculos de existência, facilitando a perceção da evolução da ocupação da Mata por diversas espécies, bem como a sua delimitação e as diferentes unidades que a compõem.

Em 2007, aquando da elaboração do POG, foram consideradas quatro parcelas distintas no interior da Mata , considerando o PGF as mesmas, no entanto, com limites e objetivos de gestão e intervenção diferentes.

Para primeira área, a Mata Climácica da Cruz Alta, estão previstos trabalhos de conservação; no Arboreto pretende-se estimular a diversidade de espécies florestais e criar um enquadramento paisagístico para o recreio e lazer; no Pinhal do Marquês prevê a diversidade de espécies com especial enfoque nas espécies de carvalhos e, por fim, no Vale dos Fetos e Abetos o objetivo é um enquadramento paisagístico para o recreio e lazer, recorrendo nomeadamente de abetos e fetos.

O Professor Francisco Castro Rego explicou ainda que o conceito-base deste plano não é utilizado em Portugal, mas sim na Europa Central, e assenta em quatro aspectos: Natureza, Proteção, Produção e Cultura.

A Natureza está implícita na Mata e prevê-se a sua conservação.  A Proteção irá incidir sobre o combate ao vasto leque de espécies exóticas invasoras. A Produção será de todo o material advindo da floresta (recursos lenhosos e não-lenhosos) e a Cultura está inerente ao património edificado existente na Mata.

Serão utilizados cincos princípios-base: a regeneração natural das espécies, ou seja, não preconizando a intensificação de ações de plantação, considerando ser mais vantajoso economicamente a gestão do ressurgimento natural e espontâneo do coberto vegetal ; a silvicultura pé a pé, isto é, a gestão não será feita por talhões, mas adequada a cada árvore/planta; o coberto contínuo, atualmente difícil de criar em Portugal, por existir o hábito de criar para depois cortar; o povoamento irregular e o povoamento misto que preveem a conservação de plantas de várias idades e de várias espécies, respetivamente.

“Pretende-se uma silvicultura próxima da natureza, uma solução florestal especial proposta para o PGF de uma floresta tão especial como é a do Buçaco”, terminou assim, o Professor, a apresentação da Proposta do PGF.

O Presidente da Câmara, Dr. Rui Marqueiro, no final da apresentação lançou um desafio à FMB e à equipa do PGF da realização de um seminário público para dar a conhecer o Plano de Gestão Florestal da Mata do Buçaco e, através desta ação, sensibilizar a sociedade civil para a importância da Mata do Buçaco num ato que pretende dignificar a Mata a um nível nacional e internacional.

O Presidente do Conselho Diretivo da FMB, Engº António Gravato, acrescentou que é necessário alertar o Ministério da Agricultura e do Mar para a Mata do Buçaco que “é um espaço gerido pela FMB, mas é de todos nós”, e mencionou ainda a importante parceria e apoio do ICNF.

Por fim, o Engº João Pinho reforçou a importância da criação deste PGF enquanto um compromisso para a gestão da Mata e para o reconhecimento nacional e internacional deste espaço. Sendo que o reconhecimento internacional ao nível da floresta já é notório, como é o exemplo do célebre cedro-do-Buçaco, que apesar de não ser nativo, foi através da sua introdução na Mata do Buçaco (1645) que ganhou destaque e se expandiu mundialmente. O Engº João Pinho realçou também a presença do ICNF na Mata do Buçaco: “O ICNF está de corpo e alma com a Fundação Mata do Buçaco”.

Ler 1129 vezes Modificado em quarta, 21 outubro 2015 15:50

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