A Mata Nacional do Bussaco constitui um património de valor incalculável, único em Portugal e no Mundo. Trata-se de uma herança secular, incomparável por reunir relevância histórica, religiosa, militar, natural, paisagística, arquitetónica e cultural. É um espaço que faz parte da identidade nacional.


Atualmente gerido pela Fundação Mata do Bussaco que, ciente do seu potencial para a promoção dos valores científicos e para a educação ambiental, pretende tornar a Mata num local de aprendizagem e descoberta sem nunca perder o seu carácter de destino turístico por excelência.

O contacto direto com a Natureza, promovendo e aprofundando o conhecimento e os temas desenvolvidos na sala de aulas, é uma oportunidade única para cativar as crianças e adolescentes.


Neste contexto, disponibiliza-se uma lista de atividades pedagógicas que esperamos que desperte o interesse da vossa escola ou agrupamento. Estas atividades serão desenvolvidas na Mata Nacional do Bussaco, sempre mediante marcação prévia.

A maioria das atividades está programada para ocupar meio dia, no entanto, caso a escola tenha interesse em ocupar um dia inteiro, poder-se-á fazer uma combinação de atividades ou completar uma atividade com mais tarefas de modo a prolongar a sua duração.

Programa para Escolas ATL IPSS 2017/2018

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 Informações e reservas

Toda a participaçao em oficina(s) carece de marcação prévia. 
As marcações devem ser realizadas pelo email Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ou através do número de telefone 231 937 000.

Mata Nacional do Bussaco - Património Vivo, Natureza Mágica

Classificado como Imóvel de Interesse Público, o conjunto monumental do Bussaco mobiliza uma riqueza patrimonial de exceção. Ao núcleo central formado pelo Palace Hotel do Bussaco e pelo Convento de Santa Cruz juntam-se as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõem a Via Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Bussaco, os cruzeiros, as fontes (saliente-se a Fonte Fria com a sua monumental escadaria) e as cisternas, os miradouros (o da Cruz Alta oferece vista privilegiada sobre toda a região entre Coimbra e a Serra do Caramulo) ou as casas florestais.

01 Mata Nacional do BuçacoFMB pequena

Atualmente ocupa 105 hectares e possui uma das melhores coleções dendrológicas da Europa, com cerca de 250 espécies de árvores e arbustos com exemplares notáveis. É uma das matas nacionais mais ricas em património natural, arquitetónico e cultural, podendo ser dividida em três unidades de paisagem: Arboreto, Jardins e Vale dos Fetos e Floresta Relíquia.

A Mata Nacional do Bussaco providencia alimento, abrigo e refúgio para mais de centena e meia de espécies de vertebrados, algumas de grande valor conservacionista, como endemismos ibéricos ou espécies protegidas.

A biodiversidade encontrada no Bussaco exprime a singularidade e valor patrimonial deste espaço mágico e obriga à sua preservação.

Consulte aqui a informação sobre a Mata


HISTÓRIA

1628-1834 – Os Carmelitas Descalços e o seu “Deserto”

Na posse do Bispado de Coimbra desde 1094, a Mata foi doada em 1628 pelo então bispo de Coimbra, D. João Manuel, à Ordem dos Carmelitas Descalços para a construção do seu “Deserto” em Portugal. Iniciadas as obras em agosto desse ano, a construção do convento e da sua cerca terminaria por 1630, altura em que começou a vida monástica regular.

O convento de Santa Cruz foi construído na simplicidade exigida pela vocação eremítica do Deserto. O revestimento arquitetónico da cortiça ou o embrechado como técnica decorativa alargada ao circuito conventual traduz o espírito de despojamento adequado às práticas ascéticas dos religiosos. A partir de 1644, sob a égide de D. Manuel Saldanha, Reitor da Universidade de Coimbra, ergueu-se, à imagem de Jerusalém, uma Via Crucis de fortíssimos contornos ideológicos e propagandísticos, destinada a representar os passos da Paixão de Jesus Cristo. A floresta autóctone portuguesa foi sendo tratada por sucessivas gerações de monges de modo a representar o Monte Carmelo como o local originário da Ordem.

A 27 de setembro de 1810 a mata foi palco da Batalha do Bussaco (um dos episódios sangrentos das invasões napoleónicas em Portugal) tendo o Convento servido de base de operações ao Duque de Wellington no confronto entre as tropas luso-britânicas e francesas.

Em 1834 a extinção das ordens religiosas decretou o fim da presença dos Carmelitas Descalços no Bussaco.

Segue-se um período, entre 1834 e 1855, que poderemos classificar como de transição, em que a mata fica sem gestão e sem um responsável que responda por ela.

1855-1910 – O Bussaco romântico

Em 1856, a Mata transita para a Administração Geral das Matas do Reino,  tendo sido nomeado um administrador em 1856 e a mata “…dotada de um regime especial quando da reforma da administração das matas nacionais, em 1872”, tendo entrado “com o apoio governamental…numa importantíssima fase de melhoramentos”. Estes melhoramentos incluem a principal e mais significativa área ajardinada, que envolve o Convento e o Hotel, sendo designada por Jardim Novo, construído em 1886-87, tal como a Cascata de Sta. Teresa. Trata-se de uma conceção tradicional de jardim, de influência barroca, característica nos séculos XVIII e XIX, com canteiros delimitados por sebes de buxo talhadas.

Outro dos espaços verdes ajardinados, o Vale dos Fetos, foi construído sensivelmente no mesmo período, em 1887-88,  tal como o Lago Grande. De referir que em 1888 foi autorizada a deslocação do então Administrador da Mata do Buçaco, Ernesto de Lacerda, a viveiros de França e da Bélgica, com vista à aquisição de plantas e de sementes. Foi de lá que vieram “…dez magníficos exemplares de fetos arbóreos da espécie Dicksonia antarctica” .

Em 1888 Emídio Navarro, então Ministro das Obras Públicas, dá inicio à construção de um palácio real, em estilo neomanuelino, com projeto do arquiteto e cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936). Outras contribuições vindas de Nicola Bigaglia (1841-1908), que assina a Casa dos Cedros, ou Norte Júnior (1878-1962), autor da Casa dos Brasões, pautam-se por uma plasticidade comum à generalidade do complexo edificado. As obras ficaram concluídas em 1907, sendo o Palácio convertido em Hotel de Luxo – o Palace Hotel do Bussaco,  considerado um dos pontos de maior interesse de todo este conjunto.


Factos

 “O Deserto” Carmelita

“O Deserto Carmelita representa um dos complexos paisagistas e arquitetónicos mais singulares existentes em Portugal.” (MECO, 2004).

Segundo PAULO VARELA GOMES (2005), “deserto era a palavra utilizada na época para referir qualquer lugar desabitado, fosse ele uma floresta, uma área montanhosa na Europa ou os desertos arenosos do norte de África ou do Próximo Oriente”. Segundo os carmelitas, “deserto” ou “ermo” designava “…uma casa de retiro e penitência, onde estes religiosos pudessem recolher-se em clausura, longe das comodidades e das solicitações mundanas, e entregar-se à vida eremítica, numa proveitosa combinação com a vida cenobítica. Devia, por isso, situar-se num local isolado e dispor de uma grande cerca, no interior da qual se encontrariam, dispersas as várias ermidas. Os Desertos eram em geral lugares isolados e agrestes onde se construía um complexo de ermidas que eram como que uma representação das grutas dos anacoretas…ou onde se aproveitavam grutas realmente existentes. Os Desertos possuíam também um convento com a respetiva igreja, que centralizava toda a vida monástica através da celebração da missa, da localização de um refeitório, uma portaria e outras dependências conventuais”.

 

Os embrechados e a cortiça

Os embrechados são feitos com pequenos fragmentos de quartzo, basalto, escórias ferruginosas (jorra industrial) e cortiça.

Com os embrechados, a arquitetura imitava a natureza. Com as árvores e as flores, os bosques e os prados artificiosamente dispostos ou descritos como tal (o que é o mesmo), a natureza imitava a arquitetura”. “Também é muito impressionante a cortiça que cobre paredes e tetos do edifício conventual. São revestimentos pobres. Na Idade Clássica (bem como nas conceções populares ou da burguesia nova-rica de hoje…), os mármores ocupavam os postos mais elevados na escala do luxo, logo seguidos pelas pedras polidas. A madeira e a cerâmica situavam-se na base da escala, abaixo até da pedra por polir (tratada ao picão). O embrechado ou a cortiça representavam a pobreza mais pobre” (GOMES, 2005).

 

A origem do nome Bussaco ou Buçaco

Remontam aos mais antigos documentos respeitantes à região centro as referências ao “monte bussaco”.

No ano de 919, num documento em latim bárbaro, surge o nome Bussaco numa doação do lugar de Gondelim, feita por Gundesindo e outros, ao mosteiro de Lorvão, que diz ”... cum suas ualles que discurrunt de monte buzaco” (Portugalie Monumenta Historica, vol 1, pág. 14).

Noutro testamento de 1002, lê-se “...in loco predicto uaccariza subtus monte nuncupato buzacco...”.

Atribui-se a etimologia à designação latina de ‘Boscum sacrum’ ou, por analogia, ao ermo de ‘Sublaco’, perto de Roma, Itália, onde S. Bento, fundador da Ordem dos Beneditinos, passou três anos em severa penitência. Esta última versão é defendida pela poetisa do Buçaco, Bernarda Ferreira de Lacerda (1595-1644), que no seu livro ‘Soledades do Buçaco’ diz:

En aquelles siglos de oro
Y venturosas edades
Qual el de Lacio Sublaco
Solia el monte llamarse

 

O cedro-do-Buçaco (Cupressus lusitanica) – ex-libris da Mata do Buçaco

Nomes vulgares: cipreste-de-Portugal, cipreste-do-Buçaco, cedro-do-Buçaco, cedro-de-Goa

Origem: América Central (montanhas do México, Guatemala e Costa Rica)

Habitat: É uma espécie originária das zonas montanhosas do México onde tem larga expansão até 1.800-2.600 m de altitude, em particular nas montanhas do maciço central, existindo igualmente na Guatemala e Costa Rica. Em Portugal é exótica e muito cultivada.

Observações: O cedro-do-Buçaco é a espécie mais “célebre” da mata, dado que é a primeira exótica introduzida no Buçaco. Na Mata contam-se vários exemplares centenários de diferentes idades, sendo o “cedro” de S. José, um dos mais velhos, assim conhecido por estar nas proximidades da capela de S. José.  A sua data de plantação remonta a 1644, embora alguns autores defendam que a sua introdução é anterior a essa data. Este cedro possui cerca de 32,9 m de altura e 5,43 m de PAP.

Segundo CHANTAL (1966), J. P. Tournefort, botânico de Luís XIV, visitou a mata em 1689 e, em 1719, enumerava quarenta e duas espécies, das quais seis de porte arbóreo (e apenas uma espécie exótica).

Curiosidades

O nome lusitanica advém da classificação inicial desta espécie ter sido feita a partir de exemplares procedentes de Portugal (Lusitânia), onde foi introduzida no século XVII. Philip Miller, faz a sua classificação formal em 1768, atribuindo-lhe o epíteto específico – lusitanica. Miller não conhecia o país de origem da espécie e supôs que teria vindo de Goa, erro que foi repetidamente cometido em diversas publicações anglo-saxónicas desde o século XVIII, de forma que ficou conhecida na língua inglesa por Cedar-of-Goa (cedro-de-Goa).  Os espanhóis chamam-lhe cedro-blanco ou cedro-de-San Juán.


CONVENTO DE SANTA CRUZ DO BUÇACO

Convento de Sta. Cruz do BuçacoFMB foto José Moura pequena  Convento de Sta Cruz igrejaCruz AltaFMB pequena

O Convento de Santa Cruz do Buçaco, ligado à prática eremítica dos Carmelitas Descalços e à ação reformadora (1562) de Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, estimulou a criação de um dos mais originais Desertos da Ordem.

A sua história inicia-se em 1628, quando o bispo de Coimbra D. João Manuel doa aos carmelitas da província portuguesa a mata do Buçaco para a construção do convento e retiro dos religiosos da Ordem. No apelo constante à solidão e ao afastamento do mundo, o Convento seria então o palco de uma experiência profunda de contemplação, oração e penitência.

A partir da ação enérgica de frei Tomás de S. Cirilo, frei João Baptista e Alberto da Virgem, o essencial da construção da complexa estrutura conventual decorreu até 1639, altura em que foi sagrada a igreja dedicada a Santa Cruz. Aqui, aliou-se o sentido simbólico da planta centralizada à prática pouco comum da colocação do templo no meio dos espaços de circulação associados às estruturas claustrais, estabelecendo-se assim a aproximação ao arquétipo do Templo de Salomão, primeiro espaço verdadeiramente sagrado da Cidade Santa. No Convento do Buçaco, o discurso iconográfico do espaço, das formas, dos materiais e das técnicas vai ao encontro de uma espiritualidade que se constrói pela fé e pobreza. O emprego das cortiças e da técnica dos embrechados, os conteúdos da azulejaria ou a força da imaginária religiosa reforçam esse sentido de uma exemplaridade cristã vivida no isolamento.

O Convento de Santa Cruz do Buçaco tinha outra dimensão que respondia às necessidades da vida conventual mas, apesar dos rigores de um quotidiano de silêncio e penitência, não deixou de ter um papel fundamental no acolhimento ao cenário de guerra da Batalha do Buçaco (1810) ou atrair um constante fluxo de religiosos que, em regime temporário ou perpétuo, escolhiam o Buçaco. Procurado e beneficiado por algumas das mais prestigiadas entidades eclesiásticas dos séculos XVII e XVIII, como D. Manuel de Saldanha, Reitor da Universidade, ou D. João de Melo, bispo de Coimbra, o Convento de Santa Cruz prosperou até 1834, data em que a extinção das Ordens Religiosas ditou o seu abandono. A partir de 1888, contudo, um novo impulso construtivo traria ao Buçaco o Palace-Hotel que, se implicou a destruição das estruturas conventuais anexas à igreja, ao corredor e pátios que hoje testemunham a existência do Convento, permitiu a sua inclusão num Buçaco romântico que permanece como um dos locais patrimonialmente mais ricos na sua diversidade compositiva.

Fonte: Lurdes Craveiro

 

A Sagrada Família

Josefa de Óbidos, 1664

Pintura a óleo sobre tela

Capela da Sagrada Família, Convento de Santa Cruz do Buçaco 

Nesta tela, assinada e datada, representa-se a Trindade terrena. O Menino recusa o leite virginal e o seu corpo realiza uma torção na direção da cruz segura por S. José, em verdadeira exaltação catequética da cruz. Os rostos, de contornos escultóricos e efeitos lumínicos vibrantes, assinalam a humanidade da cena onde o vislumbre de uma cortina marca um espaço de primeiro plano, secundado por outro povoado de querubins. As tonalidades quentes, os efeitos de claro-escuro, o requinte e a textura dos tecidos ou a mestria de Josefa de Óbidos como colorista elevam-na à qualidade de pintora dos sentidos, no apelo a uma visão carnal do pictórico.

A Sagrada Família pintadapara os Carmelitas Descalços do Buçaco é um tema saído da experiência e maturidade artística de Josefa de Óbidos que seria retomado, em 1672, no painel retabular realizado para a série do extinto Convento de Carmelitas Descalças de Cascais. De um a outro vai a distância de um tratamento intimista de uma piedade controlada no Buçaco e de um sentido de maior teatralidade em Cascais.

Josefa de Ayala e Cabrera nasceu em Sevilha, em 1630. Em 1644 encontra-se no Convento dos Eremitas Agostinhos de Santa Ana em Coimbra, ao mesmo tempo que o pai, Baltazar Gomes Figueira, pintava o grande retábulo para a igreja do colégio conimbricense da Graça. Passaria a maior parte da vida na bucólica vila de Óbidos, onde trabalhou e viria a falecer em 1684.

Josefa de Óbidos detém um papel de indiscutível relevância no panorama da pintura portuguesa do século XVII. Com uma personalidade artística muito marcante e de traços reconhecíveis, a pintora de temas religiosos, naturezas-mortas ou retratos navega entre a atração das referências marcadamente andaluzas, o academismo provinciano da designada escola de Óbidos e o contributo dos pintores portugueses da primeira metade do século. Seduzida pelo naturalismo tenebrista do século de ouro espanhol, sobretudo, por via do aprendizado na oficina do pai, Josefa desenvolverá uma prática artística de carácter piedoso, espiritual e esteticamente adequada às exigências cultuais da Igreja Tridentina.

Fonte: Lurdes Craveiro
 


 A VIA SACRA

O Sacromonte é uma criação italiana do final do séc. XV, quando Jerusalém se encontrava sob o domínio do império Otomano. Esta forma de reproduzir a Cidade Santa, recorrendo a capelas onde se representavam os passos da Prisão e da Paixão de Cristo, disseminou-se rapidamente pela Europa e permitiu ao peregrino experienciar de forma segura, sem uma deslocação à Palestina, os últimos momentos da vida do Salvador.

Via sacra Pretório FMB foto Carlos Silva pequena

Na esteira da Contra-Reforma, com o reitor da Universidade de Coimbra, Manuel de Saldanha, surgiu (1644) a Via Crucis no deserto carmelita do Buçaco. Mais próximo da tipologia dos Calvários medievos, este primeiro fôlego concretizou-se através de cruzes de pau-brasil que assinalavam, com legenda, os respetivos passos que se estendiam desde a Sentença até ao Calvário.

50 anos depois, o bispo-conde D. João de Melo fez colocar representações pictóricas de cada passo da Prisão e da Paixão dentro de pequenas ermidas de plano centralizado quadrangular que invocavam a capela da Virgem no monte Carmelo. Nesta empresa, que começa pelos Passos da Paixão, o bispo afirma a sua autoridade impondo a sua pedra de armas e uma lápide, datada de 1694, junto à ermida de S. José.

Em 1695, outra lápide (desaparecida) junto aos Passos da Prisão assinala um percurso mecenático desde o Horto até ao Calvário. No entanto, a magnitude projetada para o Sacromonte não se resume à inclusão dos Passos da Prisão – D. João de Melo quer criar uma nova Jerusalém no deserto carmelita e, para tal, importa da Cidade Santa as medidas exatas entre cada momento do martírio de Cristo. É a necessidade de implementar essas medidas num espaço reduzido que justifica a acentuada sinuosidade do percurso da Via Sacra.

Mas a emulação a Jerusalém não se esgota nessa reprodução precisa das distâncias. Para tal concorre também a introdução de Passos como o Cedron (inexistente nas Sagradas Escrituras) e de estruturas como a Porta de Siloé, a Porta Judiciária, o Pretório e o Calvário. Os dois últimos são os únicos que diferem das restantes capelas da Via Crucis do Buçaco – marcam os momentos mais relevantes de toda a Via Sacra, a condenação e a morte do Salvador – e neles D. João de Melo incorporou os elementos que deveriam conferir-lhes maior verosimilhança. Assim, encontram-se no Pretório os vinte e oito degraus que Cristo subiu no palácio de Pilatos e a varanda do Ecce Homo. No Calvário, o corpo sextavado que assinala o Passo em articulação com o corpo paralelepipédico da ermida homónima materializam a gravura do Sepulcro de Cristo na Anastasis (Antonio del Castillo, 1654).

No séc. XVIII, D. António de Vasconcelos e Sousa patrocinou a criação de figuras de vulto em cerâmica e pedra (destruídas na primeira metade do séc. XIX) e das quais resta apenas uma representação de Cristo no Horto, primitivamente na gruta do Passo do Horto e hoje na ermida de S. José.

O cenário desolador a que chegaram as Capelas dos Passos levou o Governo português a encomendar (1887) ao ceramista Rafael Bordalo Pinheiro doze grupos escultóricos para outros tantos Passos. No entanto, a morosidade da empreitada, o fim do financiamento e a morte de Bordalo Pinheiro em 1905 resultaram em apenas nove cenas da Prisão e Paixão de Cristo que nunca chegaram ao deserto carmelita.

Já no segundo quartel do séc. XX, em renovada tentativa de devolver a vivência da Paixão de Cristo à mata do Buçaco, o escultor Costa Mota sobrinho plasmou no barro as epígrafes de cada capela, tirando partido das possibilidades plásticas das peças chacotadas. Na impossibilidade de manipular a luz, artificial e natural, o artista encontraria na policromia um novo meio de acentuar a emotividade contida nas suas composições que, a partir do Passo do Despojamento das Vestes, assumem um outro impacto visual.

É na articulação de todos os contributos histórico-artísticos com a envolvência da mata e a sugestão omnipresente da força simbólica de Jerusalém que reside, ainda hoje, o sentido pleno do percurso da Via Sacra no Sacromonte do Buçaco e, simultaneamente, um dos aspetos que o tornam único no Mundo.

Fonte: Lurdes Craveiro

As Ermidas e o Sacromonte

Ermidas de habitação(ou de penitência) – N.ª Sr.ª da Assunção, N.ª Sr.ª da Expectação, Santa Teresa, Santo Elias, N.ª Sr.ª da Conceição, S. Miguel, Santíssimo Sacramento, S. José, S. João Baptista, Calvário e Santo Sepulcro

Estas ermidas destinavam-se aos religiosos que quisessem viver algum tempo fora do mosteiro e separados da comunidade.  Segundo ARAÚJO (1962), estas ermidas eram pobres e toscas e

compunham-se de “…um oratóriozinho para o religioso orar e dizer missa, uma pequena sacristia para se paramentar, um cubículo para descanso, uma casa de fogo para preparar o seu parco sustento e se aquecer durante o maior rigor do frio…o seu jardim de alegretes com água de uma cisterna para regar as flores e um pequeno campanário com sua sineta, para o solitário dar sinal de que ao mesmo tempo que os seus irmãos do convento oravam no coro, também ele vigiava no seu oratório e os acompanhava em suas preces e louvores ao Altíssimo. Todas as noites a altas horas, se despertavam os ecos da montanha com o suave tanger do Bronze.”

Ermidas de devoção(apresentadas como Capelas), e que compõem o Sacromonte do Buçaco.

As Capelas (S. João da Cruz, S. Pedro e Santa Maria Madalena)

Na mata, concretamente, no caminho que vai da portaria (Portas de Coimbra) até ao convento, designado por “Avenida do Mosteiro”, considerado como o antigo caminho principal da mata, foram erguidas três capelas. A de Santo Antão foi erguida noutro local, e num sítio isolado. Era considerado “…um percurso nobre…” que tinha (e tem) cerca de quinhentos metros.


 AS BULAS PAPAIS

bulas portas de cbr

Gravadas em pedra sobre as Portas de Coimbra, a entrada no Deserto de Santa Cruz do Buçaco, onde “…estava a cela do padre porteiro…para tomar os recados das pessoas que iam a este santo deserto” estão duas bulas papais:

Uma Bula do Papa Gregório XV, datada de 23 de Julho de 1622, interditando a entrada de mulheres nos conventos carmelitas e, portanto, também no Convento de Santa Cruz do Buçaco, sob pena de excomunhão, (“latae sententiae”), a todas as que lá se introduzissem.

Uma Bula do Papa Urbano VIII, datada de 28 de Março de 1643, com  sentença de excomunhão (“ipso facto incurrenda”) para quem destruísse árvores e apanhasse madeira…”.

Com efeito, os monges eram obrigados a plantar árvores, sendo proibido o seu corte.

“As Constituições da ordem diziam claramente que o prior do Deserto era obrigado a pôr de novo cada ano árvores silvestres, não podendo cortar ou arrancar alguma sem autorização especial da congregação provincial (Cap. XVI, tit. 6)” (GOMES, 2005).


 

A Mata Nacional do Buçaco encontra-se no extremo Noroeste da Serra do Buçaco, no concelho da Mealhada. Com 549 m de altitude, a sua localização geográfica confere-lhe um microclima muito particular, com temperaturas amenas, elevada precipitação e frequentes nevoeiros matinais, que favorecem a ocorrência de elevada biodiversidade. Assim, nas encostas expostas a Sul sobressai uma vegetação potencial perenifólia tipicamente mediterrânica e nas encostas mais a Norte uma vegetação caducifólia, característica de clima temperado.

Atualmente ocupa cerca 105 hectares e possui uma das melhores coleções dendrológicas da Europa, com cerca de 250 espécies de árvores e arbustos com exemplares notáveis. É uma das Matas Nacionais mais ricas em património natural, arquitetónico e cultural, podendo ser dividida em três unidades de paisagem: Arboreto, Jardins e Vale dos Fetos e Floresta Relíquia.

Arboreto

Ocupa cerca de 80% da área da mata. É o resultado de um processo de florestação que, partindo de uma área já existente, foi sendo reflorestada pela ação dos monges. Da floresta original ainda restam alguns carvalhos, azereiros e loureiros. Mas foi devido aos Carmelitas Descalços que o arboreto ganhou a alma que se mantém, sobretudo após a introdução do cedro-do-Buçaco (Cupressus lusitanica), o ex-libris da mata. A partir de 1850 foram introduzidas muitas espécies exóticas como cedros, sequoias, araucárias, eucaliptos, pseudotsuga, entre outras.

Jardins e Vale dos Fetos

A principal e mais significativa área ajardinada é a que envolve o Convento (e o Palace Hotel), designada por “Jardim Novo”. Foi construída em 1886-87, tal como a Cascata de Santa Teresa.

Outro espaço verde ajardinado emblemático é o Vale dos Fetos, cujo nome deriva da existência de vários exemplares de fetos de porte arbóreo. O arruamento do Vale dos Fetos foi construído em 1887-88, tal como o Lago Grande.

Floresta Relíquia

É uma formação vegetal clímax de plantas autóctones que, segundo alguns autores, conserva as características típicas da floresta primitiva, antes da ocupação humana.

Ocupando apenas uma pequena fração, no extremo Sudoeste da mata, este local é bastante diversificado, albergando três habitats diferentes: o carvalhal de carvalho-alvarinho e carvalho-negral, o loureiral, dominado pelo loureiro, com presença frequente do medronheiro, folhado e do azevinho, e os ‘Adernais’, na encosta Sul e Sudoeste. O adernal é uma formação vegetal única dominada por adernos de grande porte arbóreo, estendendo-se desde a Cruz Alta até ao Passo de Caifás. Em alguns locais é praticamente puro, formando um bosque denso praticamente sem outras espécies arbóreas.

Entre as espécies subarbustivas domina a gilbardeira. Nas espécies trepadeiras são comuns a salsaparrilha-bastarda, uva-de-cão e a hera.

Fonte: Rosa Pinho, Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro

MAPA NOTÁVEIS

Conheça algumas das espécies existentes...

Sequoia

Sequoia sempervirens (D. Don) Endl. 

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Origem e Distribuição:Norte da America

Descrição: A Sequóiaé uma conífera exótica monóica e perenifólia pertencente à famíliaCupressaceae. Esta espécie pode atingir mais de 100 metros de altura, possui tronco ereto e alongado, casca castanha-avermelhada, rugosa, podendo atingir 35 cm de espessura. Tem uma copa cônica e irregular, ramos relativamente curtos e dispostos horizontalmente.

As folhas são rígidas e possuem uma coloração predominante verde-escuro na face adaxial, e na parte inferior uma cor mais clara, possuindo faixas de um verde-azulado devido à presença de estômatos.

Os cones masculinos são ovais com 4-6 mm de comprimento e os cones femininos são ovóides com 15-32 mm. As sementes das sequias são pequenas (3-4 mm de comprimento) possuindo duas asas de 1 mm cada.

Preferências Ambientais: Ocorre em climas mediterrâneos marítimos com invernos frios e chuvosos e verões secos. Tem preferência por leques aluviais e planícies costeiras. Surge em solos argilosos mas tem preferência por solos arenosos profundos, húmidos e férteis. As áreas com nevoeiro regular reduzem o stress hídrico da espécie, reduzindo a evapotranspiração e adicionando humidade ao solo.

Floração: Entre janeiro e março

Frutificação: Outono

Época de Plantação: Outubro a março

Particularidades e utilizações:A sua madeira é leve, livre de nós e muito resistente à deterioração. É fácil de ser trabalhada, podendo ser utilizada em serraria e marcenaria.

Curiosidades: A sequóia é um dos maiores seres vivos do mundo, sendo que o maior exemplar desta espécie possuir cerca de 110m de altura. Um dos principais fatores que contribui para a longevidade desta espécie são as propriedades morfológicas da sua casca taninosa. Além disso, a casca confere alta resistência ao fogo e protege contra ataques de insetos e outros microrganismos.

Esta espécie pode atingir os 2200 anos de vida.


Riscos e proteção: A sequoia apresenta uma distribuição mundial bastante limitada, sendo, de uma forma geral, bastante rara. As ameaças a que se encontra sujeita justificam o estatuto de ameaça "Em Perigo", atribuído pela União Mundial para a Conservação da Natureza.

MNB: No Bussaco podem ser observadas varias formações de sequóias, destacando-se a formação localizada junto ao eucalipto-gigante. 

Camélia

Camellia japonica

camélia foto

A camélia, também conhecida em algumas regiões do país como japoneiras, é um arbusto ou árvore de medio porte, de folhas persistentes, coriáceas, lustrosas e bordas dentadas. Apresentam flores vistosas e solitárias que podem ser de diversos tipos, grandes ou pequenas, simples ou dobradas, de diversas cores, sendo que as mais comuns são as brancas e as vermelhas. Certas espécies emanam um perfume suave.

Os frutos são capsulas globosas, com dimensões que variam entre o tamanho de um amendoim e uma laranja, com cerca de 3 sementes esféricas.

Origem e Distribuição:ÁsiaChinaCoréia do NorteCoréia do SulJapão

Preferências Ambientais: Tem preferências por solos húmidos e ácidos, férteis, bem irrigados, poroso e com grande quantidade de matéria orgânica.

Em climas com temperaturas inferiores -5 ºC as camélias não sobrevivem.

Floração: Fevereiro a maio.

Frutificação: Final do verão a fim de outubro

Época de Plantação: Outubro a março

Particularidades e utilizações:Existem mais de 3.000 cultivares diferentes de Camellia japonica, número que a cada ano aumenta com o aparecimento de novas variedades. Sua utilização paisagística é ampla, adequando-se a jardins europeus, orientais e contemporâneos.
Riscos e proteção: Espécie não abrangida por nenhuma legislação de proteção específica.

MNB: No Bussaco podem ser observadas por toda a Mata, no entanto destaca-se o conjunto de camélias que se encontra junto aos jardins do Palace, envolvência da Fonte de S. Silvestre e Lago Grande da Mata. Quando associamos as Camélias com o movimento romântico (meditação oportuna em vésperas de dia dos namorados) pensamos logo no romance de Alexandre Dumas, filho: “A Dama das Camélias” de 1848, rapidamente adaptada para teatro em 1852 e que viria a inspirar a ópera de Giuseppe Verdi, estreada no ano seguinte: “la Traviata”. Este romance conta-nos a história de amor “proibido” entre Marguerite, uma cortesã, com o jovem Armand. A Camelia surge nesta história como veiculo de acontecimentos românticos, Marguerite usa uma camelia branca quando está disponível para o(s) seu(s) amante(s), contudo por sofrer de tuberculose, quando usa uma camélia vermelha é sinal de indisponibilidade! Esta obra de arte que inspira muitas outras surge no pico do movimento romântico. É também neste período que se instala uma verdadeira cameliamania em Portugal, destacando-se a região do Porto “segundo refere Marques Loureiro, no Jornal de Horticultura Prática as primeiras camélias importadas viajaram para o Porto entre 1808 e 1810” É com origem no Porto que a Mata do Buçaco é enriquecida com uma coleção de Camélias doada por  Visconde de Vilar de Allen em 1884.

Leia o romance de Dumas on-line: http://www.gutenberg.org/files/2419/2419-h/2419-h.htm

Libreto da ópera de Verdi: http://opera.stanford.edu/iu/libretti/traviata.html

Veja e ouça a Ópera:

Azereiro

Prunus lusitanica

Azereiro foto

O azereiro, também conhecido vulgarmente por loureiro-de-Portugal ou ginjeira-brava, é uma pequena árvore perenifólia (pode atingir 20 m de altura), densamente ramificada, com ramos glabros de cor vermelho-escura e folhas verde-escuras, luzentes. Destacam-se também as flores brancas e vistosas dispostas em cachos eretos axilares. Os frutos são amargos e ásperos e não se aconselha o seu consumo, pois podem conter pequenas quantidades de cianeto de hidrogénio. No entanto, tanto os frutos como as folhagens desta espécie são caraterizados por atrair muitas aves, tanto para se alimentarem como para nidificarem.

Origem e Distribuição:  Norte e oeste da Península Ibérica e sudoeste da França;

Preferências Ambientais: Ocorre essencialmente em matas sombrias e margens de linhas de água de montanha. Tem preferência por solos siliciosos, frescos e com boa drenagem. Espécie moderadamente tolerante à seca.

Floração: Maio a julho.

Frutificação: Final do verão a início do outono;

Época de Plantação: Final de outubro até início de março.

Particularidades e utilizações:o azereiro faz parte da “floresta Laurissilva”,  a flora-relicto semitropical que sobreviveu à Idade do Gelo, ao refugiar-se principalmente nas Ilhas da Macaronésia. Espécie cultivada em parques e jardins de muitos países Europeus.
Riscos e proteção: O azereiro é uma espécie relíquia, que apresenta uma distribuição mundial bastante limitada, sendo, de uma forma geral, bastante raro. As ameaças a que se encontra sujeito justificam o estatuto de ameaça "Em Perigo", atribuído pela União Mundial para a Conservação da Natureza.

MNB: No Bussaco podem ser observados por toda a Mata, sendo que alguns espécimes apresentam porte considerável. Destacam-se algumas dezenas de azereiros plantados, no Pinhal do Marquês, há cerca de 2 anos e meio, que contrariamente à sua ecologia natural, tem-se adaptado à grande exposição solar e aos regimes hídricos da área em questão apresentando mesmo taxas de crescimento mais vantajosas quando comparados com espécimes localizados em habitats teoricamente mais favoráveis.

Austrália

Acacia melanoxylon

2invasora acacia australia site

Originária do sudeste da Austrália, a espécie de acácia do mesmo nome foi introduzida em Portugal nos meados do séc. XIX para fins ornamentais e fixação dos solos, tornando-se subespontânea e invasora (Decreto-Lei nº 565/99) em inúmeros locais, particularmente em áreas percorridas por incêndios. O seu carácter invasor deve-se ao facto de produzir muitas sementes de longa viabilidade, as quais podem ser dispersas por aves, vento, água e por roedores, aumentando as áreas invadidas. A germinação das sementes é estimulada e agravada por perturbações como após abertura de clareiras e/ou ocorrência de incêndios. São de difícil controlo e erradicação pelo facto de rebentarem vigorosamente de toiça e raiz, no solo, após derrube ou corte.Formam povoamentos muito densos que impedem o desenvolvimento da vegetação e fauna nativa.

Origem e Distribuição: Sudeste da Austrália e Tasmânia.

Preferências Ambientais: Ocorre naturalmente nas florestas temperadas do Sudeste australiano, mas adapta-se rapidamente aos mais variados tipos de solo e clima. Os ambientes preferências para a sua invasão são as margens de vias de comunicação e de linhas de água, orlas ou subcoberto de espaços florestais ou espaços abertos (clareiras). Tolera bem a seca, ventos marítimos, locais poluídos e temperaturas extremas.

Floração: Entre Março e Junho.

Frutificação: De Julho a Agosto.

Época de Plantação: Pelos efeitos negativos que produz na natureza e de acordo com o Decreto-Lei nº 565/99, de 21 dezembro é proibido o cultivo, a compra, a venda a exploração económica, a cedência, a oferta, o transporte, e a utilização como planta ornamental.

Locais onde a espécie é invasora: Europa (Espanha, França, Itália, Reino Unido), África do Sul, Ásia (Índia), EUA (Califórnia, Havai), América do Sul (Argentina, Chile), Nova Zelândia.

Impactes no ecossistema: Forma povoamentos muito densos e impede o desenvolvimento da vegetação e fauna nativa; A produção elevada de folhada rica em azoto promove a alteração do solo.

MNB:  Existem vários espécimes de porte considerável um pouco por toda a Mata do Buçaco, constituindo-se estes como um foco de ameaça aos valores naturais de conservação. Através de um projeto de conservação cofinanciado pelo instrumento financeiro LIFE da União Europeia, o projeto BRIGHT - Bussaco´s Recovery of Invasions Generating Habitat Threats (LIFE+ / NATUREZA E BIODIVERSIDADE, LIFE10/NAT/PT/075), que visa o controlo e erradicação de espécies exóticas invasoras que ameaçam os habitats naturais presentes, a Fundação Mata do Buçaco tem, com o auxílio de técnicas adequadas, controlado o crescimento e a proliferação desta espécie.

Adaptado de: Ezequiel J.,Lopes L., Pinho R.

Loureiro

Laurus nobilis L.

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O loureiro é um arbusto ou pequena árvore, que raramente ultrapassa os 10 m de altura.

A parte mais conhecida desta árvore são as suas folhas, usadas na nossa cozinha como condimento. Porém, os frutos são tóxicos e não comestíveis.

Espécie muito comum na Mata do Buçaco.

Origem e Distribuição: É uma espécie originária do Mediterrâneo. Em Portugal encontra-se abundantemente no centro e norte mais atlânticos.

Preferências Ambientais: Espécie da Bacia do Mediterrâneo, predomina em matagais e bosques de clima ameno. Ocorre até aos 900m. Sucede em qualquer solo moderadamente fértil ou seco, mas bem-drenado e é indiferente ao pH. Espécie de exposição solar, no entanto adapta-se a zonas sombreadassob clima ameno, sem geadas prolongadas. Necessita de precipitações ou rega nos meses de verão. Resiste moderadamente ao frio, mas mais dificilmente a ventos fortes frios. Não se dá bem com excessiva exposição marítima.

É uma árvore altamente resistente a pragas e doenças.

Floração: De Fevereiro a Maio.

Frutificação: Por volta de Setembro ou Outubro.

Época de Plantação: Finais de Outubro até Março.

MNB: No Bussaco podem ser observados por toda a Mata, apresentando alguns portes consideráveis. 

Adaptado de: Ezequiel J.,Lopes L., Pinho R.


Aderno

Phillyrea latifolia

ADERNO    ADERNOO

Na Mata Nacional do Buçaco, nomeadamente na floresta relíquia, destacam-se os magníficos exemplares de aderno com porte e idade notáveis que constituem um verdadeiro e talvez único adernal no país. Característicos pelas suas múltiplas formas sinuosas, os adernos ornamentam o singular caminho da Floresta Relíquia.

Origem e Distribuição: Região mediterrânica.

Preferências Ambientais: Surge frequentemente nas florestas e matagais esclerofilos mediterrânicos. Necessita de um climasuave, em que o Inverno não seja muito duro. Ocorre em solos siliciosos oucalcários. É uma espécie xerófila (organismo adaptado a zonas secas e com pouca humidade), mesotérmica.

Floração:De Fevereiro a Maio.

Frutificação: Entre Setembro e Outubro.

Época de Plantação: Novembro a Fevereiro

Particularidades e Utilizações: Esta espécie é usada para fins ornamentais.

MNB: Espécie emblemática da Floresta Reliquia da Mata Nacional do Buçaco, num tipo de formaçao vegetal testemunho de eras anteriores à ocupação humana - o Adernal. Através de um projeto de conservação cofinanciado pelo instrumento financeiro LIFE da União Europeia, o projeto BRIGHT - Bussaco´s Recovery of Invasions Generating Habitat Threats (LIFE+ / NATUREZA E BIODIVERSIDADE, LIFE10/NAT/PT/075), que visa o controlo e erradicação de espécies exóticas invasoras que ameaçam a Floresta Relíquia, a Fundação Mata do Buçaco tem, com o auxílio de técnicas adequadas, procedido à conservação destes valores únicos.

Adaptado de: Ezequiel J.,Lopes L., Pinho R.


Cedro-do-buçaco

Cupressus lusitanica Mill

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O nome comum atribuido a esta espécie - cedro-do-Buçaco - induz duplamente em erro, uma vez que esta espécie é na verdade um cipreste (Cupressus) e não um cedro (Cedrus), além de fazer alusão ao Buçaco, dando ideia que a espécie é originária de Portugal, quando na realidade a sua origem é centro-americana. Esta confusão parece dever-se em parte ao nome científico desta espécie, Cupressus lusitanica, no entanto a atribuição deste nome é compreensível, pois foi no nosso território, que o botânico francês Joseph Pitton Tournefort (1656-1708), em 1689, a observou pela primeira vez, denominando-a “Cupressus lusitanica patula fructu minore”, sendo abreviada pelo botânico Philip Miller (1691-1771), em 1768 para o atual binómio científico.

Na Mata do Bussaco, contam-se vários exemplares centenários de diferentes idades, sendo o “cedro” de S. José um dos mais velhos. Localizado junto à capela de S. José, apresentava até 2013 32,9 m de altura (o ciclone de 19 de janeiro de 2013 afetou grandemente a sua estrutura) e 5,43 m de PAP (perímetro à altura do peito) e estima-se que terá sido plantado por volta de 1644, podendo contudo a sua plantação ser anterior a esta data e mesmo anterior à construção do convento de Santa Cruz, datado de 1628, de acordo com autores reconhecidos.

Origem e Distribuição América Central

Preferências Ambientais: Originária das zonas montanhosas da América Central (México, Guantemala) tem larga expansão até 1.800-2.600 m de altitude. Dá-se em solos de pH variável, argilosos, pobres, rasos e relativamente bem drenados. Espécie tropical de altitude, aprecia um clima ameno mas dá primazia aos climas húmidos. É uma espécie de exposição solar, no entanto deve ser irrigada periodicamente nos primeiros anos após a plantação. Espécie resistente à poluição atmosférica urbana.

Floração: Finais do inverno ou início da primavera.

Frutificação: As gálbulas só amadurecem no outono do ano seguinte.

Época de Plantação: Finais de outubro até março.

Particularidades e Utilizações: Espécie de cipreste mais presente no nosso país, de crescimento moderadamente rápido, de grande valor ornamental, apresentando significativo interesse florestal. A sua madeira é muito apreciada uma vez que apresenta boas características: leve, aromática, duradoura mesmo dentro de água, resistente, homogénea, de cor rosada ou amarelada. Apreciada em marcenaria, para produção de móveis de qualidade.

MNB: Espécie icónica do arboreto da Mata Nacional do Buçaco, é observável por toda a Mata fruto das arborizações feitas pelos Carmelitas Descalços.

Adaptado de: Ezequiel J.,Lopes L., Pinho R.

 

 

 


 

A Mata Nacional do Buçaco encerra uma vasta diversidade de animais que, muitas vezes silenciosa, passa despercebida. Rodeada de monoculturas de pinheiro-bravo e eucalipto, a Mata providencia alimento, abrigo e refúgio para mais de centena e meia de espécies de Vertebrados, entre as quais, algumas de grande valor conservacionista, como endemismos ibéricos ou espécies protegidas.

Num passeio diurno poderão observar-se e ouvir-se numerosas espécies de aves florestais, como os chapins, o tentilhão e os pica-paus, aves de rapina como a águia-calçada ou o açor (ambas espécies ameaçadas) e até mesmo aves associadas a massas de água, como a garça-real e o guarda-rios. O bom tempo atrairá diversos répteis, como o lagarto-de-água, endémico, ou a cobra-de-escada e um olhar atento às linhas de água permitirá identificar anfíbios tão distintos como a salamandra-lusitânica e o tritão de ventre-laranja, dois sensíveis endemismos.

O crepúsculo revela outros sons e movimentos. São os morcegos, as raposas, fuinhas e outros animais noturnos, como a coruja-do-mato e o mocho-galego.

Além do misticismo, das cristalinas águas e do frondoso arboreto, a Mata do Buçaco encerra uma vasta diversidade de animais que muitas vezes, silenciosa, passa despercebida. Rodeada de monoculturas de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e eucalipto (Eucalyptus globulus), a Mata funciona como um refúgio para a fauna selvagem, de importância fundamental para a conservação da biodiversidade da região Centro do País. Providencia alimento, abrigo e refúgio para mais de centena e meia de espécies de Vertebrados e várias centenas de espécies de Invertebrados. Entre estas, encontram-se espécies de grande valor conservacionista, endemismos ibéricos e espécies protegidas.

Os peixes do Buçaco incluem cinco espécies, duas das quais endémicas da Península Ibérica (o ruivaco Achondrostoma oligolepis e o escalo-do-Norte Squalius carolitertii), o que contribui para a importância do património biológico da Mata.

Os anfíbios são um grupo de grande importância ecológica e elevada sensibilidade. Em Portugal Continental ocorrem 17 espécies de anfíbios. A Mata Nacional do Buçaco, apresentando elevada disponibilidade de água, um microclima bastante húmido e vegetação abundante, fornece condições para albergar uma diversidade de anfíbios impressionante, num total de 10 espécies. Destas, conta-se com quatro espécies endémicas da Península Ibérica (a salamandra-lusitânica Chioglossa lusitanica, o tritão-de-ventre-laranja Lissotriton boscai, a rã-ibérica Rana iberica e a rã-de-focinho-pontiagudo Discoglossus galganoi), que são também espécies ameaçadas a nível global ou nacional.

No que respeita aos répteis, no Buçaco ocorrem 14 espécies, entre as quais o lagarto-de-água Lacerta schreiberi, endémico da Penínsusula Ibérica, o licranço Anguis fragilis, o sardão Timon lepidus, as cobras de água Natrix natrix e Natrix maura, a cobra-de-escada Rhinechis scalaris e as lagartixas Psammodromus algirus e Podarcis hispanica, todos inócuos. Os répteis são a classe de vertebrados menos apreciada pelo público em geral, pelo seu aspeto, modo de locomoção e características que causam repulsa e criam receios infundados.

O grupo de Vertebrados naturalmente mais abundante na Mata é o das aves. É também a classe que mais fascínio desperta nos visitantes. A avifauna da Mata é bastante rica, contando com cerca de 80 espécies em estado selvagem. Entre estas figuram, obviamente, numerosas aves florestais, como os chapins Parus major, Periparus ater, Cyanistes caeruleus, Lophophanes cristatus e Aegithalos caudatus, o tentilhão Fringilla coelebs, a trepadeira-azul Sitta europaea, a estrelinha-real Regulus ignicapilla e os pica-paus Dendrocopos major e Picus viridis; aves de rapina diurnas, como a águia-calçada Hieraaetus pennatus, a águia-de-asa redonda Buteo buteo e o gavião Accipiter nisus, e noturnas, como o mocho-galego Athene noctua e a coruja-do-mato Strix aluco; aves mais generalistas como o pisco-de-peito-ruivo Erithacus rubecula, a milheirinha Serinus serinus, o verdilhão Carduelis chloris, o pintassilgo Carduelis carduelis e a toutinegra-de-barrete Sylvia atricapilla; e ainda algumas espécies migratórias como o papa-figos Oriolus oriolus e a poupa Upupa epops. Entre as aves que ocorrem na Mata consta ainda uma espécie tipicamente aquática, a garça-real Ardea cinerea. A presença desta espécie no habitat florestal do Buçaco constituiu uma surpresa, mas pode ser justificada pela grande abundância de peixe disponível nos lagos, para sua alimentação.

A Mata Nacional do Buçaco, sendo um arboreto rico e com uma considerável variedade de microhabitats, alberga também uma comunidade de mamíferos bastante diversificada e interessante, totalizando 35 espécies. Os mamíferos são indubitavelmente uma classe muito carismática e cativante, porém, de difícil observação! Muitas espécies têm comportamentos esquivos e noturnos, pelo que o mais fácil de detetar são os seus indícios de presença, como pegadas, excrementos, tocas, trilhos, etc. Da mastofauna da Mata destaca-se a ocorrência de oito espécies de carnívoros, tais como a raposa Vulpes vulpes, a fuinha Martes foina, o sacarrabos Herpestes ichneumon e o texugo Meles meles e pelo menos 14 espécies de morcegos, entre os quais os morcegos-de-ferradura grande Rhinolophus ferrumequinum e pequeno Rhinolophus hipposideros, o morcego-de-água Myotis daubentonii, o morcego-negro Barbastella barbastellus e o morcego-rabudo Tadarida teniotis. Certamente ocorrerão no Buçaco mais espécies de morcegos, porém a identificação segura destes animais apresenta várias restrições metodológicas. Todas as espécies de morcegos estão estritamente protegidas, por se tratar de mamíferos severamente ameaçados, com as populações em declínio e altamente vulneráveis a todos os fatores de ameaça. Em Portugal Continental ocorrem 25 espécies no total, incluindo algumas muito raras. Assim, o Buçaco apresenta uma diversidade de quirópteros verdadeiramente impressionante, tendo em conta a sua reduzida área. A Mata conta ainda com diversos micromamíferos, entre os quais o rato-cego Microtus lusitanicus, o rato-das-hortas Mus spretus, o rato-do-campo Apodemus sylvaticus e o musaranho-de-dentes-vermelhos Sorex granarius, endémico da Península Ibérica. Um dos mamíferos mais facilmente observável é o esquilo Sciurus vulgaris. O maior mamífero que aqui ocorre é o javali Sus scrofa, cuja atividade diurna pode assustar os mais incautos.

Ao nível dos Invertebrados, os levantamentos iniciados em 2012 inventariaram já mais de seis centenas de espécies de Moluscos, Aracnídeos e Insetos, sendo que muito se falta investigar neste âmbito. Os registos apontam para a ocorrência de mais de 130 espécies de lepidópteros (borboletas), quer diurnos, quer noturnos; mais de 40 espécies de hemípteros (cigarras, cigarrinhas, pulgões) e mais de três dezenas de ortópteros (grilos, gafanhotos), por exemplo. Nos lagos podem observar-se diversos Odonata (libélulas e libelinhas) e por toda a Mata ocorrem dezenas de espécies de coleópteros (escaravelhos), dos quais se destaca o notável vaca-loura Lucanus cervus, considerado o maior escaravelho da Europa.

Não é demais repetir que a Mata do Buçaco, apaixonante recanto repleto de misticismo e história, acolhe também tesouros do mundo natural, alteando a sua monta para além do que o olhar alcança.

Fonte: Milene Matos, Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro


 A Batalha do Buçaco

A Guerra Peninsular (entre 1807 e 1814), integrando o mais amplo acontecimento das Guerras Napoleónicas, compreende aquelas que ficaram conhecidas por invasões francesas a Portugal. Com a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, em 1799, Portugal passa a ser visto como território estratégico para os interesses comerciais dos franceses sobre o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda. Portugal, juntamente com a Espanha (já aliada à França) motivada por interesses que passariam pela repartição do reino português em unidades políticas futuramente sujeitas à dupla governação francesa e espanhola, teria de se juntar ao Bloqueio Continental decretado pela França contra o Reino Unido da Grã-Bretanha. Deveria, para isso, fechar os seus portos à navegação britânica, declarar guerra aos ingleses, sequestrar os seus bens em Portugal e aprisionar todos os ingleses residentes. Ora, foram justamente estas as exigências apresentadas, em julho de 1807, pelos representantes de França e de Espanha ao príncipe regente de Portugal e que, doravante, viriam a transformar o território português numa peça menor, embora ardilosa, na liça das ambições do imperador francês.

A Batalha do Buçaco (ou Bussaco, de acordo com a grafia de então), integrada na última das três invasões napoleónicas a Portugal (com início em julho de 1810 e termo em abril de 1811), foi uma das inúmeras batalhas travadas entre os exércitos francês e anglo-luso, no entanto, os antecedentes relativos à sua preparação, bem como as consequências de um só dia de confronto (27 de setembro de 1810), elevam-na a um plano operacional de enorme conceito militar, não só pelo que ela representa nos seus termos mais objetivos – derrota das brigadas do comandante supremo Marechal André Masséna -, mas principalmente pelo que ela representou na preparação de um confronto seguinte que decidiria o enfraquecimento definitivo do invasor francês nas Linhas de Torres Vedras. 

[Gravura de Thomas S. St. Clair representando a Batalha do Buçaco, em 27 de Setembro de 1810]

A frustração das derrotas da primeira e segunda invasões (entre 1807 e 1809), levou a que Napoleão Bonaparte nomeasse para comandante do novo «Exército de Portugal» o marechal André Masséna, um dos mais reputados marechais franceses a quem Napoleão chamou «o filho querido da victoria»[1]. Foi justamente sob as ordens deste marechal, e com o maior exército dos que já tinham invadido Portugal (efetivo total de cerca de 65.050 homens) que se deram os confrontos no Buçaco entre o exército anglo-luso (organizado em Divisões, somava cerca de 61.452 homens) comandado pelo Tenente-General Arthur Wellesley, Visconde de Wellington e futuro duque de Wellington, e os Corpos das brigadas francesas, de entre os quais o 8º corpo militar organizado pelo experiente General Andoche Junot, Duque de Abrantes.

[Mapa da Terceira Invasão Francesa. Manuel F. V. G. Mourão]

Para avançar sobre Portugal, foi necessário dominar a Praça Forte de Almeida afastando a Divisão Ligeira de Craufurd. O Combate do Côa, a 23 de julho de 1810, foi o primeiro confronto em território português entre as forças de Wellesley e os franceses, terminando na retirada do Brigadeiro-General Robert Craufurd. A este último, e com o objetivo de chegar o mais rapidamente possível a Lisboa, seguir-se-ia Coimbra com passagem por uma excelente posição defensiva entre Penacova e Luso, isto é, o Buçaco. Ora, Masséna, depois do Cerco de Almeida, retomou a marcha a 15 de setembro de 1810 rumo à íngreme Serra do Buçaco, com cerca de 15km de comprimento, onde já o aguardava, determinado, o General Wellesley, a quem destinaram o melhor quarto do Convento, com duas portas[2], onde haveria de pernoitar. Do dia 21 ao dia 27 de setembro, foram muitas as diligências militares observadas pelo general Wellesley que, segundo o testemunho de fr. José de S. Silvestre[3], se levantava bem cedo, «pelas 5 horas da manhã, pelas 7 sahia a rever o campo e o exercito, e pelas 4 da tarde é que se recolhia, [depois de prender o seu cavalo à oliveira que ainda hoje se encontra plantada em frente ao convento - a chamada Oliveira de Wellington -] e pelas 5 jantava».

 Observando o mapa em baixo, rapidamente se compreendem os itinerários a trilhar para a travessia do Buçaco. Entre Carvalhal e Casal - o itinerário mais próximo do rio Mondego -; entre S. Paulo e Palamases; entre Santo António do Cântaro e Palheiros; e, finalmente, o itinerário principal que liga Mortágua a Coimbra, passando por Moura, e de onde chegariam as brigadas francesas. Foi precisamente este último trilho o escolhido pelos corpos de brigadas napoleónicos, encabeçados, respetivamente, pelo Generais Jean-Louis Reynier e Andoche Junot, bem como pelo Marechal Michel Ney, Duque de Elchingen. Do lado dos aliados (mapa), todo o exército se colocou em linha, no cume da Serra, reforçando-se, do mesmo modo, a Porta Sula (alinhada com o convento) nela se organizando uma bateria a fim de, imediatamente, atacar o inimigo logo à entrada. Considerando-se a Porta Sula um ponto estratégico de defesa, as divisões anglo-lusas alinharam-se ao longo da mesma fazendo baterias mais a Norte, onde atualmente se ergue o Obelisco, assim como, numa outra posição de defesa, demais baterias onde atualmente se encontra o Museu Militar.

[Manuel F. V. G. Mourão, coronel em reserva, com base em mapa referido na obra de Charles Oman, 1908, History of the Peninsular War, volume III.]

No dia 26 de setembro, vindos de Mortágua para Coimbra, os franceses avançaram até às vizinhanças de Moura acabando por entrar pela Porta Sula; dava-se, deste modo, o início de uma batalha sangrenta que não só retardaria a chegada do exército francês a Lisboa como, também, garantiria mais tempo a dedicar ao reforço das Linhas defensivas de Torres Vedras. Um resultado de cerca de 5000 baixas para os invasores e cerca de 1300 baixas para os aliados anglo-lusos, a Batalha do Buçaco passaria a significar, na História da nação portuguesa, um exemplo fulcral de tática defensiva em contexto militar. A retirada das brigadas francesas deixou para trás um campo de batalha devastado e abandonado à caridade dos religiosos do convento que tudo fizeram para socorrer os feridos de guerra, tanto portugueses, como ingleses, mas também franceses, não se poupando a esforços de acolhimento dos soldados na Capela da Almas[4] onde foram devidamente tratados e alimentados. A invasão, essa, prosseguiria em direção a sul, onde o invasor, já bastante debilitado, haveria de encontrar as Linhas (de Torres Vedras) que poriam um travão definitivo à intrepidez do Marechal Masséna bem como à consistência militar dos exércitos desmoralizados de Napoleão Bonaparte.

Fonte: Sandra Costa

MUSEU MILITAR

Situado no pequeno lugar de Almas do Encarnadouro, na Serra do Buçaco, o Museu Militar recolhe nas suas salas o espólio da Batalha do Buçaco travada em 27 de setembro de 1810 entre as tropas napoleónicas sob o comando do Marechal Massena e as anglo-lusos, comandadas pelo Duque de Wellington.

O Museu Militar do Buçaco, inaugurado em 27 de setembro de 1910, por ocasião do 1º Centenário da batalha, com a presença do Rei D. Manuel II, mostra nas suas salas o rico legado da época, nomeadamente peças militares do principio do Séc. XIX, figuras uniformizadas, guiões e medalhas, material e equipamento diversos, uniformes, gravuras, uma peça de campanha de 9 libras que tomou parte na batalha e respetiva guarnição, evocações miniaturizadas e uma completa maquete mostrando as posições das forças em combate.
Outros locais históricos a visitar : Capela de Nª Srª da Victória, que serviu de hospital de sangue durante a batalha, Obelisco Comemorativo da Guerra Peninsular, Posto de Comando do Marechal Duque de Wellington, Moinho de Sula, Ruinas do Moinho da Moura, posto de comando do Marechal André Massena.

HORÁRIO DE ABERTURA: 
Manhã - 10H00 - 12H30

Tarde - 14H00 - 17H00

Encerra à  Segunda-Feira e nos dias de Natal, Ano Novo, Domingo de Páscoa e no 1º de Maio.
BILHETES:

Adultos – 2 €

Jovens dos 7 aos 17 anos – 1 €
Maiores de 65 anos de idade  – 1 €

Sexta-feira das 10H00 - 12H30 - Gratuito
Crianças até 6 anos de idade, Militares e Civis do QPCE, Membros da Liga dos Amigos do Museu Militar do Bussaco - Gratuito


[1] CASTRO, Augusto Mendes Simões de, 1896, Guia historico do viajante no Bussaco, Coimbra, Imprensa da Universidade, 3º Ed. Fac-simile, p.139.

[2] O testemunho dos acontecimentos observados fornecido pelo religioso do convento do Buçaco, fr. José de S. Silvestre, cuja idoneidade histórica é sempre questionável, relata a chegada do General Wellesley ao convento, no dia 21 de Setembro, pelas nove horas da manhã, tendo-lhe sido mostrado o quarto onde pernoitaria e que ele não terá gostado, por ter apenas uma porta, acabando por escolher um outro, «por ter duas». Do mesmo testemunho se relata, «vindo do seu quartel em Sancta Eufemia», a dormida do Marechal Beresford, por uma noite, no dia 27, na livraria do convento. CASTRO, Augusto Mendes Simões de, 1896, Guia historico do viajante no Bussaco, Coimbra, Imprensa da Universidade, 3º Ed. Fac-simile, p.139.

[3] CASTRO, Augusto Mendes Simões de, 1896, Guia historico do viajante no Bussaco, Coimbra, Imprensa da Universidade, 3º Ed. Fac-simile.

[4] É o próprio fr. José de S. Silvestre que dá testemunho da existência desta mesma capela - «Recommendaram-nos que déssemos agua aos feridos que estavam na capella das Almas (…)». CASTRO, Augusto Mendes Simões de, 1896, Guia historico do viajante no Bussaco, Coimbra, Imprensa da Universidade, 3º Ed. Fac-simile, p.183.


O PALACE HOTEL DO BUSSACO

O Palace Hotel é uma edificação neomanuelina, construída entre 1888, ano da aprovação do projeto de Luigi Manini, e 1907.

Já depois da Extinção das Ordens Religiosas, D. Maria Pia pretendeu criar neste espaço um palácio real, que rivalizasse com a Pena, mas os planos acabaram por não se concretizar e o então Ministro das Obras Públicas, Emídio Navarro, muito ligado ao Buçaco, propôs a construção de um palácio do Povo, ou seja, um hotel (ANACLETO, 2004, p.66). Para tal, encarregou o cenógrafo Luigi Manini, que terminou as primeiras aguarelas em 1886. O plano foi aprovado em 1888 e as obras tiveram início ainda nesse ano. A antiga igreja, em torno da qual se encontravam as primitivas celas, foi conservada no seio do novo edifício, bem como algumas das estruturas conventuais. Manini inspirou-se na Torre de Belém e no Claustro dos Mosteiro de Santa Maria de Belém, para criar no Buçaco uma obra que não pode ser considerada apenas como um neo, mas sim como uma recriação eclética que denota aspetos historicistas, mas pouco relacionados com o retorno ao passado ou a ideias românticas (ANACLETO, 2004, p.66).

Palace Hotel Casa dos BrasõesFMB foto Joana Coutinho pequena     Palace Hotel Casa dos BrasõesFMB foto Joana Coutinho pequena     Palace Bernardo Pinheiro redimensionada

Salientam-se ainda alguns dos nomes ligados a esta grandiosa obra, como foram os arquitetos Nicola Bigaglia, José Alexandre Soares e Manuel Joaquim Norte Júnior, este último responsável, em 1905, pelo projeto da denominada Casa dos Brasões. A partir de 1903, foram contratados diversos artistas para decorar os interiores do Hotel, entre os quais se encontram os pintores António Ramalho, Carlos Reis, João Vaz, o pintor de azulejo Jorge Colaço (que executou, entre outros, os painéis do vestíbulo, alusivos à Batalha do Buçaco), e o escultor Costa Motta Sobrinho, responsável pelos grupos escultóricos da Via Sacra.

LUIGI MANINI (1948 – 1936)

Luigi Manini, cenógrafo no Teatro Scala de Milão, chega a Portugal em 1879 para ocupar o cargo de cenógrafo do Teatro de São Carlos. Em 1888, contava quarenta anos, Emídio Navarro convida-o a projetar um palacete de caça para a família real, a construir na serra do Buçaco. Manini projetou um palácio em estilo neomanuelino. O Palácio do Buçaco deu trabalho a outros artistas, como Norte Júnior e Nicola Bigaglia, este de origem veneziana, que executaram as pinturas decorativas, e o escultor J. Machado. Nesta obra teve especial relevo o contributo da Escola Livre das Artes do Desenho de Coimbra, donde provinham os mestres canteiros que trabalharam no Buçaco.

Outra obra emblemática de Luigi Manini em Portugal é a Quinta da Regaleira, em Sintra, cujo projeto teve início em 1904.

Para além das obras já mencionadas, Manini concebeu o Challet Mayer, a Vila Sassetti, e a casa do jardineiro da Quinta Biester, atualmente designada Vila Relógio, em Sintra.  Em 1913, Manini regressa a Itália, falecendo em Brescia a 29 de Junho de 1936, com 88 anos de idade.

 

Norte Júnior (1878 – 1962)

Assina a Casa dos Brasões do Palace Hotel do Buçaco.

Das suas obras mais conhecidas destacam-se o Teatro Variedades, o Café Nicola e a Villa Sousa, em Lisboa e o Palace Hotel da Curia. Foi o recipiente de 5 Prémios Valmor.

Nicola Bigaglia (1841-1908)

Assina a Casa dos Cedros do Palace Hotel do Buçaco

Nicola Bigaglia, um prestigiado arquiteto veneziano, radicou-se em Portugal em 1888, com o intuito de vir dar aulas de Modelação Ornamental na Escola Afonso Domingues.

Recebeu um Prémio Valmor pelo Palácio Lima Mayer, em lisboa, tendo também assinado o Palácio Lambertini, e o Palácio Val Flor, ambos em Lisboa.

Azulejos do Buçaco

Foi – e ainda é – vasto e rico o património do Buçaco. De todo ele, a azulejaria merece lugar de destaque, por se tratar de uma arte das mais populares e mais genuinamente portuguesa, mas sobretudo porque se encontra aqui representada, em qualidade e até em diversidade, em dois períodos distintos.

- os frontais de altar, produção do segundo e do terceiro quartel do século XVII, aplicado na igreja e nas construções adjacentes, bem como nas capelinhas semeadas na mata e que  terão sido provenientes de Talavera de la Reina, com os que estão  na capela do Ecce Homo e nas capelas devocionais de S. João da Cruz, S. Pedro e Sta. Maria Madalena e, ainda, os frontais (de ramagens) da igreja e do claustro e os das capelas de S. João no Deserto e de S. José. Note-se, no entanto, que a importância do Deserto do Buçaco no “corpus” da azulejaria nacional, desta época não resulta da monumentalidade ou das grandes superfícies azulejadas. Bem pelo contrário, o lugar de grande relevo que indiscutivelmente lhe é reconhecido, advém-lhe de para aqui terem vindo – e em grande parte, ainda se conservarem, “ os mais representativos painéis para frontais e altares em Portugal”, como escreveu Santos Simões, considerando que se trata de “ um núcleo sui géneris e paradigmático”. De facto, apesar da destruição e abandono a que o deserto foi votado pelo século XIX (desde a batalha de 1810 e com a extinção das ordens religiosas) como pelo século XX ( até com a construção do palácio), chegou ao nosso tempo uma boa dezena e meia de frontais, para além de existirem, nas cercanias do Buçaco, restos diversos, reaplicados ou não, que devem ser identificados com este conjunto.

- azulejaria “historicista e nacionalista” no Palace Hotel, da autoria de Jorge Colaço, como os “dez painéis de inspiração camoniana”, nas janelas-portais da galeria nas alas nascente e norte, e no extremo sul; os painéis do “hall” de entrada e do vão da escadaria, sobre temas da Guerra Peninsular e da Batalha do Buçaco, ou da epopeia marítima dos portugueses, com três cenas da partida para a Índia,  – a conquista de Ceuta e a tomada de Goa, no interior;

Nos últimos anos do século XIX e primeiros do século XX, afirmaram-se novos rumos para o azulejo, de que o Palácio da Pena (Sintra) e o Palace Hotel do Buçaco podem ser exemplos,  este, mais historicista e acentuadamente nacionalista, onde os azuis e brancos são predominantes, com fortes incursões arte-nova, particularmente em cercaduras de belo efeito cromático.

Fonte:  Amaro Neves,1992

Projetos na Fundação Mata do Bussaco 

Todas as instituições "vivem" dos seus projetos e a Fundação Mata do Bussaco (FMB) não é diferente. Todos os dias, as equipas que trabalham na MNB dedicam-se a projetos, sejam eles das mais diversas áreas, com um único objetivo comum: melhorar as condições de visitação da MNB, tornando-a mais dinâmica, ao mesmo tempo que recupera património, natural e edificado.

Nesta página pode ter uma prespetiva dos projetos em desenvolvimento e os já executados, pela Fundação Mata do Bussaco. De ressalvar que a mesma está em permanente atualizadação.

Os projetos, em desenvolvimento e já executados, podem ser visualizados no menu do lado direito do ecrã.  


>Casas do Bussaco

cozinha web As casas de guardas florestais na Mata Nacional do Bussaco são das últimas construções aqui realizadas. A sua origem deve-se ao plano de povoamento florestal do Estado Novo, regulado pela Lei n.º 1971 de 1938, que dava seguimento ao trabalho iniciado pelos Serviços Florestais e Aquícolas no dealbar do séc. XX.

Com a supressão e integração do corpo de Guardas Florestais na Guarda Nacional Republicana em 2006, estas casas foram votadas a um progressivo abandono mantidas apenas pelos poucos guardas que permaneceram instalados. Para evitar a degradação deste Património, a Fundação trabalha na reabilitação destes edifícios com vista ao seu aproveitamento turístico e preservar a memória deste local singular, tendo sido garantida a sua execução através do Programa PRODER. Neste momento, são quatro as Casas que estão num processo de reabilitiuzação, nomeadamente, a das Ameias, do Serpa, das Lapas e da Feteira. 

>Projeto BRIGHT 

logo final bright sozinhoFinanciado pelo programa europeu LIFE+ Biodiversidade com o objetivo de assegurar a conservação do Adernal - habitat apenas existente em toda a Europa na área de floresta relíquia da Mata Nacional do Bussaco – o projeto BRIGHT – Bussaco´s Recovery of Invasions Generating Habitat Threats encontra-se em curso desde Setembro de 2010. Com uma duração de 5 anos, inclui trabalhos de combate e controlo de espécies invasoras que ameaçam aquele habitat e de valorização e reabilitação da flora autóctone que o integra, apresentando como característica complementar  e inovadora o envolvimento activo de vários públicos (visitantes, residentes e entidades públicas e privadas) nas actividades de conservação.

Parceiros do projeto: Câmara Municipal de Mealhada e Universidade de Aveiro

Todas as informações disponíveis no site do Projeto em www.fmb.pt/bright 

>Biscoito do Bussaco e Chocolate do Bussaco

imagem do biscoito do bussaco 2 chocolate do bussaco

A Fundação Mata do Bussaco, em parceria com a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, está a preparar a apresentação do Biscoito do Bussaco e o Chocolate do Bussaco, duas iguarias idealizadas com base nos produtos existentes na Mata Nacional do Bussaco.

Após um estudo dos alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, que se inspiraram nos sabores da Mata, foram realizados vários testes e provas para chegar ao Biscoito do Bussaco, com sabor a mel e tomilho com o formato de uma folha de árvore, e ao Chocolate do Bussaco, tem sabor a poejo, hortelã e mel. Estas iguarias que se tornam únicas pelo seu sabor original!

O objetivo é, posteriormente, comercializar estes produtos na Loja “Produtos da Mata” e noutros locais a definir, para que seja possível o público em geral adquirir os mesmos. 

>Sinalética pedestre da Mata

Sinalética 2

Durante o primeiro trimestre do ano de 2014, será colocada na Mata Nacional do Bussaco toda a sinalética pedestre, que indicará os principais locais de interesse aos visitantes e turistas. Toda esta sinalética é realizada através da recuperação da sinalética antiga. A primeira fase consistirá em assinalar o núcleo central da mata, e assim sucessivamente.

>Letras “BUSSACO”

letras bussaco 2

A ideia passa pela implementação de um novo elemento na zona em frente à Loja “Produtos da Mata”, com a designação de “bussaco”. As letras terão uma altura de 1,20m e cerca de 9 m de comprimento, e têm como finalidade conferir alguma dinâmica ao espaço, onde se situam duas estruturas importantes de apoio ao turista, a Loja e a Esplanada.

Por outro lado, pretende chamar à atenção a quem se encontra na entrada do Palace Hotel do Bussaco ou na zona de estacionamento junto ao velho quiosque. As letras serão todas em madeira maciça, tendo a particularidade de que esta madeira é derivada da queda de árvores do temporal de 19 de janeiro de 2013, conferindo desta forma, um grande simbolismo a esta peça: um reerguer da Mata depois do temporal.

>Caminhos da Batalha do Bussaco

Apresentação Caminhos da Batalha do Bussaco 2 A Fundação Mata do Bussaco e a Câmara Municipal de Penacova apresentaram o Projeto “Caminhos da Batalha do Bussaco”, no âmbito das comemorações do 203º aniversário da Batalha do Bussaco e do Dia Mundial do Turismo. Um projeto que proporcionará aos turistas a descoberta dos caminhos da batalha num buggy e que se espera estar disponível já no próximo ano.

“Caminhos da Batalha do Bussaco” é um projeto embrionário, cujo desenvolvimento pretende acima de tudo valorizar os espaços mais interessantes, do ponto de vista estratégico, da Batalha do Bussaco. Assim, é intuito das entidades envolvidas que este seja algo dinâmico, de monitorização constante e aberto à participação de outras entidades que entendam poder contribuir para o seu enriquecimento. 

Outra mais-valia é a de poder contribuir para a revitalização dos espaços e para a intervenção contra o avanço veloz das invasoras exóticas, nomeadamente das Ácácias (Acacia dealbata e Acacia melanoxylon), tendo já a Fundação Mata do Bussaco enquadrado, neste processo, o projeto BRIGHT e o município de Penacova com apoio de meios humanos e técnicos. Assim sendo, para além da importância cultural e turística da criação, sinalização e divulgação dos "Caminhos da Batalha do Bussaco" este projeto visa também a preservação da biodiversidade da Serra do Bussaco.

O projeto conta ainda com o apoio da empresa Extra Motion, Ldª (RNAAT 212/2013) que disponibiliza os meios para que os utilizadores percorram os “Caminhos da Batalha do Bussaco”. A viagem será feita num Buggy XTM equipado com tablet contendo a Plataforma Virtual XTM, em que o turista terá autonomia total na utilização do veículo, uma vez que este está dotado de um complexo e integrado sistema / plataforma de georreferenciação, que conduz o turista por trilhos e rotas, através de um sistema de guia virtual GPS. Além da tradicional função GPS, interage com o turista informando-o via áudio e vídeo (tablet de apoio equipa a viatura) dos POI dos locais em que vai passando (plataforma XTM).  Espera-se que projeto esteja concluído em meados do próximo ano.


 >Árvores caídas no temporal dão lugar à Linha de Mobiliário BUSSACO

 A criação da linha de mobiliário BUSSACO pela empresa de equipamento urbano Larus está, neste momento, em lançamento no mercado, perpetuando a memória das árvores centenárias caídas, partidas e desenraizadas no temporal de janeiro de 2013, na Mata Nacional do Buçaco, que não escapou à intempérie que se abateu sobre o território continental. Mais uma parceria desenvolvida pela Fundação Mata do Bussaco, em prol deste espaço único no mundo.

Através do desafio lançado à Larus pela Fundação Mata do Buçaco, nasceu a Linha de Mobiliário Urbano BUSSACO, utilizando a madeira das árvores irreversivelmente danificadas pelo temporal, perpetuando assim o seu ciclo de vida.

A linha de mobiliário BUSSACO, neste momento em lançamento no mercado e pronta a ser comercializada, é caracterizada pela rusticidade inerente à utilização de madeira maciça. O recurso aos componentes metálicos estruturantes, garante uma maior consistência física, minimizando necessidades futuras de manutenção e atribuindo nobreza a estas soluções rústicas.

A linha de mobiliário BUSSACO, que inclui vários equipamentos de mobiliário urbano, baseia-se na verdade histórica da Mata do Bussaco, herdada de gestor em gestor, desde os tempos da sua ocupação pelos Carmelitas Descalços. Linhas simples, rústicas, num minimalismo que tenta manter a maior naturalidade dos materiais, assumindo a austeridade carmelita e os efeitos do passar do tempo como elemento que vinca a identidade do objeto ou lugar, sem menosprezar a elegância e a durabilidade.

Esta linha, agora disponível para aquisição por qualquer interessado público ou privado, tem particular interesse para áreas verdes, parques ou jardins, pela sua elevada naturalidade e inserção paisagística.

Recorde-se que a MNB é a única floresta pública nacional com selo de certificação florestal, pelo que o adquirente tem a garantia de, ao adquirir a linha ou peças da mesma, está a contribuir para a reflorestação e conservação de uma floresta com alto valor de conservação, cuja gestão respeita o ambiente, a biodiversidade e a sustentabilidade social.

Nesta primeira fase, a linha BUSSACO constitui uma edição limitada, condicionada pela existência de madeira resultante das árvores caídas devido ao temporal de 19 de janeiro, nomeadamente cedros-do-Bussaco, carvalhos, abetos, freixos, acácias e diversas espécies de pinheiros exóticos.

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  >Miradouro Virtual 

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Os visitantes e turistas já têm disponível mais um serviço na Mata Nacional do Bussaco: um Miradouro Virtual, junto à Capela de Santo Antão. Um projeto apoiado pelo PRODER.

A localização geográfica e a riqueza ambiental e patrimonial da MNB, conferem-lhe uma distinta versatilidade na oferta que os seus visitantes podem usufruir, tanto para conhecer os espaços como apreciar a calma e tranquilidade que sempre foi seu apanágio.
Estudado para proporcionar o melhor dos dois mundos, e incluído nos projetos trabalhados para o Programa PRODER, o Miradouro Virtual permite a quem o utiliza conhecer melhor a Mata e os seus pontos mais marcantes, assim como conhecer um pouco melhor o espaço fora de muros. Custo de utilização: €1/6 minutos | €2/12 minutos. 

proder

> Bussaco Digital

bussaco digital

O SAPO labs confirmou o seu apoio ao projeto Bussaco Digital, apresentado pela Universidade de Aveiro, em parceria com a Fundação Mata do Bussaco. Assim, já é possível “plantar” árvores à distância de um clique, na Mata Nacional do Bussaco, acompanhar o seu crescimento, ou até dedicar árvores notáveis a alguém especial. Para além da plataforma digital, está ainda na calha a conceção da aplicação móvel.

O projeto Bussaco Digital surge como uma estratégia para a aquisição e plantação de árvores com o intuito de ocupar as áreas de floresta que foram destruídas, após o temporal de janeiro de 2013. Assim, através de um micro-site, os interessados podem “plantar” uma ou mais árvores na MNB, ao mesmo tempo que contribuem para a sua manutenção e preservação.

O acesso à informação e localização (através de coordenadas GPS) sobre a árvore plantada estará acessível através de um simples registo na plataforma, disponibilizada via internet, que permitirá a interação com pessoas que estão fisicamente distantes, facilitando o processo de contribuição, fomentando a interação social, aproximando a MNB da população e promovendo o sentido de altruísmo e sensibilização ambiental.

Este acesso permite igualmente realizar um serviço extra e original: o dedicar. Através deste serviço, o utilizador poderá selecionar uma ou mais árvores notáveis da Mata e dedicá-la a alguém especial ou, em alternativa, plantar uma árvore e dedicá-la a alguém. As dedicatórias podem tornar-se públicas.

Consolidada a ideia, esta foi apresentada pela Universidade de Aveiro, com a Fundação Mata do Bussaco, ao SAPO labs, da Fundação PT, que pretende ser encarado como parceiro de desenvolvimento e investigação das instituições de ensino. Agora, dois alunos finalistas da licenciatura em Novas Tecnologias da Comunicação vão receber as condições materiais e financeiras para desenvolver toda a plataforma e a aplicação móvel inerente ao projeto Bussaco Digital, com o apoio do SAPO labs e da Fundação PT. 
Com este micro-site, e as contribuições dos seus utilizadores, vai ser possível ajudar diretamente na reflorestação da Mata Nacional do Bussaco, a recuperação de clareiras, o combate / controlo da instalação de flora exótica invasora que tenderá a se desenvolver nas novas clareiras, se não houver plantação de vegetação adequada (autóctone e exótica ornamental, não invasora), a consolidação das unidades de paisagem da Mata através da plantação de espécimes adequados a cada unidade, a divulgação do património natural da Mata e o aumento da consciência ecológica pública e da sensibilização ambiental.

Ver plataforma do Bussaco Digital aqui: http://bussacodigital.sapo.pt/ 

Missão da Fundação Mata do Bussaco 

A missão da Fundação Mata do Bussaco passa pela preservação do importante património, inserto na Mata Nacional do Bussaco, e desenvolver as suas diversas potencialidades, tendo como objeto principal: a conservação do património natural e cultural, a investigação florestal, a educação ambiental e as atividades turísticas e de lazer. Compete à Fundação gerir de forma integrada o património florestal, histórico, cultural, religioso e militar que se combina de forma particularmente rica e diversificada na Mata Nacional do Bussaco.

 Veja aqui os Estatutos Decreto Lei nº58/2014 de 15 de abril

 Veja aqui os Estatutos Decreto Lei nº 120/2009 de 19 de Maio


Orgãos Sociais

A Fundação Mata do Buçaco, F.P. é constituida pelo Conselho Consultivo, Conselho Diretivo e Fiscal Único.

Benefícios Fiscais para entidades que concedam donativos a entidades públicas
Ao abrigo da legislação em vigor, as contribuições para a Fundação de Mata do Bussaco beneficiam do regime estabelecido no capítulo X.º, Artigo 56º-D, n.ºs 1, 2, 6 e 7 do Estatuto dos Benefícios Fiscais - «Benefícios relativos ao mecenato» - conforme redação que lhe foi dada pela Lei n.º 53-A/2006, de 29 de Dezembro, que veio revogar o Estatuto do Mecenato, aprovado pelo DL n.º 74/99, de 16 de Março.
1. Pessoas Coletivas (CIRC): Aceitação como custos, na sua totalidade, dos donativos concedidos, majorados em 20%. Os donativos atribuídos ao abrigo de contratos plurianuais celebrados para fins culturais específicos beneficiam de uma majoração de 30%.
2. Pessoas Singulares (CIRS): Dedução à coleta, dos donativos concedidos (majorados nos termos do regime aplicável às Pessoas Coletivas), em valor correspondente a 25%.


 Conselho Diretivo


Composição atual:

António Gravato – Presidente do Conselho Diretivo da Fundação Mata do Buçaco, F.P.
João Pinho - Vogal não executivo do Conselho Diretivo da Fundação Mata do Buçaco, F.P.


Conselho Consultivo

(brevemente)

 


 

Fiscal Único

Ao fiscal único compete a fiscalização da Fundação,designadamente:
a) Elaboração do parecer anual sobre o relatório de contas, que é apresentado ao Conselho Geral e ao Conselho de Administração;
b) Elaboração do parecer sobre o inventário, realizado e apresentado pelo conselho de administração;
c) Elaboração do parecer sobre se a aplicação dos rendimentos se realiza em harmonia com os fins estatutários.

LCA- Leal, Carreira & Associados SROC

 

A missão da Fundação Mata do Bussaco passa pela preservação do importante património, inserto na Mata Nacional do Bussaco, e desenvolver as suas diversas potencialidades, tendo como objeto principal: a conservação do património natural e cultural, a investigação florestal, a educação ambiental e as atividades turísticas e de lazer. Compete à Fundação gerir de forma integrada o património florestal, histórico, cultural, religioso e militar que se combina de forma particularmente rica e diversificada na Mata Nacional do Bussaco.

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