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Com a primavera e o verão, chegam muitas aves estivais à Mata do Buçaco, que rapidamente se aprontam na incansável tarefa de construir o ninho e, de seguida, cuidar dos ovos e das crias. Pelo segundo ano, a Mata do Buçaco tem o privilégio de albergar um casal de águia-calçada (Aquila pennata), bem como as suas crias, já nascidas.

Buçaco, 3 de julho de 2015

Os estudos faunísticos da Universidade de Aveiro, que decorrem na Mata desde 2003, no âmbito do Projeto BRIGHT, revelavam anualmente a reprodução desta espécie nas proximidades da Mata, mas a nidificação no seu interior apenas se confirmou no ano passado. Relembre-se que no verão passado, uma das crias caiu do ninho e foi recuperada pelo CERVAS, tendo sido devolvida à natureza no dia 22 de Agosto. Este ano, e ainda sem incidentes, a reprodução segue o seu normal curso, pretendendo a Fundação, em parceria com a Universidade de Aveiro e anilhadores credenciados, anilhar as crias, de forma a possibilitar o seu seguimento futuro.

Note-se que a águia-calçada é uma espécie de elevado valor para a conservação, detendo o estatuto de “quase ameaçada”, e apresentando uma regressão generalizada das populações a nível global. 

Hoje, dia 6 de julho, a Fundação Mata do Buçaco, apresentou a proposta de Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional do Buçaco (PGF). Este é um instrumento fundamental para uma gestão sustentada da Mata do Buçaco.

A apresentação da Proposta de Plano de Gestão Florestal decorreu no Salão Nobre do Palace Hotel do Bussaco e contou com a presença do Presidente do Conselho Diretivo da Fundação Mata do Buçaco, F.P., Engº. António Gravato, do Presidente da Câmara Municipal de Mealhada, Dr. Rui Marqueiro, do Vice-Presidente do ICNF e Vogal não executivo do Conselho Consultivo da FMB, Engº. João Pinho, e do Professor Francisco Castro Rego, Coordenador do Centro de Ecologia Aplicada Professor Baeta Neves do Instituto Superior de Agronomia.

A implementação do PGF traz vantagens significativas à Mata do Buçaco tanto ao nível de gestão e de uma valorização económica e ambiental como ao nível de candidaturas a apoios por ser, em muitos casos, um instrumento obrigatório.

Com o PGF é possível planear da melhor forma a gestão da Mata, avaliando alternativas, identificando oportunidades e ameaças, prevendo custos e receitas, otimizando assim os resultados da exploração.

Este instrumento operacionaliza as orientações estratégicas contidas no Plano Regional de Ordenamento Florestal (PROF) do Centro Litoral, desempenhando um papel crucial no processo de melhoria e gestão das áreas florestais da Mata Nacional do Buçaco.

A sua elaboração representa um passo importante na incorporação de diretivas de planeamento regional, fundamentadas em conceitos técnicos para a condução destes mesmos espaços, acompanhando a validade do PROF para a sub-região homogénea Entre Vouga e Mondego, bem como de outros planos de enquadramento regional e local.

A elaboração do PGF esteve a cargo do Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", uma unidade de investigação do Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa e tem a assinatura do Professor Francisco Castro Rego, uma referência a nível nacional, na área da gestão e conservação dos ecossistemas florestais assim como na área dos fogos florestais.

Segundo o Professor Francisco Castro Rego, a Mata do Buçaco não é um objeto comum: “tem uma componente de bosque e uma componente sacra, muito diferente de outras florestas”.

Ao apresentar esta proposta de PGF, o Professor Castro Rego realçou aspetos da Mata, tais como a água como um elemento fundamental, a diversidade da fauna, e a variedade de plantas e árvores que trouxeram à Mata botânicos reconhecidos de toda a Europa. No entanto, realçou também que as excelentes condições de instalação de espécies florísticas, por vezes são desfavoráveis, uma vez que também permitem a instalação e proliferação de espécies exóticas invasoras.

Está também previsto a elaboração de um DFCI, (Defesa da Floresta Contra Incêndios) já criado em 2007 no Plano de Ordenamento e Gestão (POG), ao qual se pretende efetuar uma revisão, para a  introdução de  melhorias.

O PGF foi a presentado com recurso a representações de imagens e documentos com séculos de existência, facilitando a perceção da evolução da ocupação da Mata por diversas espécies, bem como a sua delimitação e as diferentes unidades que a compõem.

Em 2007, aquando da elaboração do POG, foram consideradas quatro parcelas distintas no interior da Mata , considerando o PGF as mesmas, no entanto, com limites e objetivos de gestão e intervenção diferentes.

Para primeira área, a Mata Climácica da Cruz Alta, estão previstos trabalhos de conservação; no Arboreto pretende-se estimular a diversidade de espécies florestais e criar um enquadramento paisagístico para o recreio e lazer; no Pinhal do Marquês prevê a diversidade de espécies com especial enfoque nas espécies de carvalhos e, por fim, no Vale dos Fetos e Abetos o objetivo é um enquadramento paisagístico para o recreio e lazer, recorrendo nomeadamente de abetos e fetos.

O Professor Francisco Castro Rego explicou ainda que o conceito-base deste plano não é utilizado em Portugal, mas sim na Europa Central, e assenta em quatro aspectos: Natureza, Proteção, Produção e Cultura.

A Natureza está implícita na Mata e prevê-se a sua conservação.  A Proteção irá incidir sobre o combate ao vasto leque de espécies exóticas invasoras. A Produção será de todo o material advindo da floresta (recursos lenhosos e não-lenhosos) e a Cultura está inerente ao património edificado existente na Mata.

Serão utilizados cincos princípios-base: a regeneração natural das espécies, ou seja, não preconizando a intensificação de ações de plantação, considerando ser mais vantajoso economicamente a gestão do ressurgimento natural e espontâneo do coberto vegetal ; a silvicultura pé a pé, isto é, a gestão não será feita por talhões, mas adequada a cada árvore/planta; o coberto contínuo, atualmente difícil de criar em Portugal, por existir o hábito de criar para depois cortar; o povoamento irregular e o povoamento misto que preveem a conservação de plantas de várias idades e de várias espécies, respetivamente.

“Pretende-se uma silvicultura próxima da natureza, uma solução florestal especial proposta para o PGF de uma floresta tão especial como é a do Buçaco”, terminou assim, o Professor, a apresentação da Proposta do PGF.

O Presidente da Câmara, Dr. Rui Marqueiro, no final da apresentação lançou um desafio à FMB e à equipa do PGF da realização de um seminário público para dar a conhecer o Plano de Gestão Florestal da Mata do Buçaco e, através desta ação, sensibilizar a sociedade civil para a importância da Mata do Buçaco num ato que pretende dignificar a Mata a um nível nacional e internacional.

O Presidente do Conselho Diretivo da FMB, Engº António Gravato, acrescentou que é necessário alertar o Ministério da Agricultura e do Mar para a Mata do Buçaco que “é um espaço gerido pela FMB, mas é de todos nós”, e mencionou ainda a importante parceria e apoio do ICNF.

Por fim, o Engº João Pinho reforçou a importância da criação deste PGF enquanto um compromisso para a gestão da Mata e para o reconhecimento nacional e internacional deste espaço. Sendo que o reconhecimento internacional ao nível da floresta já é notório, como é o exemplo do célebre cedro-do-Buçaco, que apesar de não ser nativo, foi através da sua introdução na Mata do Buçaco (1645) que ganhou destaque e se expandiu mundialmente. O Engº João Pinho realçou também a presença do ICNF na Mata do Buçaco: “O ICNF está de corpo e alma com a Fundação Mata do Buçaco”.

20 julho de 2015

Umbelino Monteiro desenvolveu a telha “BUSSACO” exclusivamente para a recuperação das Ermidas do Buçaco e, na passada terça-feira, dia 14 de julho, ofereceu toda a cobertura para a Ermida de S. José, no âmbito do Workshop de Técnicas Tradicionais que terá início na próxima segunda-feira, dia 20 de julho.

No contexto do  Workshop de Técnicas tradicionais para intervenção em edifícios históricos, organizado pela Fundação Mata do Buçaco, Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro e Câmara Municipal da Mealhada, que se realiza entre os dias 20 e 25 de Julho na Mata do Buçaco, foram estabelecidas parcerias com diversas instituições com vista a intervir na Ermida de São José, um dos edifícios afetados pela passagem do ciclone GONG, a 19 de janeiro de 2013, com o objetivo de dar a conhecer as características formais e materiais das construções da Mata do Buçaco, compreender a ação dos agentes de degradação nas construções antigas e apresentar os importantes princípios éticos que devem ser aplicados nas intervenções em edifícios históricos. 

Desta forma será concretizada a primeira ação de Reabilitação do património edificado do Buçaco classificado como imóvel de interesse público por parte da Fundação Mata do Buçaco, sendo esta a primeira intervenção nos imóveis classificados desde os anos 80 do século XX com a nova cobertura da Igreja do Convento de Santa Cruz do Buçaco e desde as grandes intervenções dos anos 60 do século XX nas capelas da via-sacra e Ermidas de habitação. É um momento muito significativo para a Fundação Mata do Buçaco como entidade gestora deste património e o primeiro passo na procura do objetivo de reabilitação e salvaguarda de todo o património edificado da Mata do Buçaco.

A parceria com a Umbelino Monteiro beneficiou o património da mata e neste contexto os trabalhos de reabilitação da Ermida de Habitação de S. José, imóvel construído no ano de 1643, fundada pelo reitor da Universidade de Coimbra Manuel de Saldanha, com a doação de toda a cobertura. Para este trabalho foi desenvolvida a telha canudo chamada "BUSSACO" que assim se define com mais um elemento do vasto e rico catálogo desta empresa, de grande reputação e cujo portfólio se assume como o mais significativo em reabilitação de património edificado classificado em Portugal e muitos destes classificados pela UNESCO.

A Fundação agradece à Umbelino Monteiro e às diversas empresas que têm vindo a ceder gentilmente os seus serviços, materiais  e/ou equipamentos, contribuindo para a preservação e valorização da Mata... UM PATRIMÓNIO DE TODOS.

24 julho de 2015

Ontem, dia 23 de julho, o jornal L’Obsservatore Romano fez referência à Mata Nacional do Buçaco, e à sua importância ambiental e religiosa.

No passado dia 23 de julho foi feita uma publicação no jornal L´Obsservatore Romano intitulada “Brevi pontifici scomparsi”, que destaca a Mata Nacional do Buçaco como espaço pioneiro nas preocupações ecológicas e ambientais dentro da igreja.

Este artigo resulta da visita do Monsenhor Francisco Xavier Frojan Madero, da Secretaria de Estado do Vaticano, a convite do Presidente da Camara Municipal da Mealhada, Dr. Rui Marqueiro e da Fundação Mata do Buçaco, efetuada nos dias 2 e 3 de janeiro deste ano, na qual teve a oportunidade de acompanhar e observar os principais locais da Mata.

L´Obsservatore Romano é o jornal diário da Cidade do Vaticano, e transmite todas as comunicações da Santa Sé, o Papa, bem como os eventos que decorrem na Cidade e artigos culturais sobre o mundo. Não sendo o jornal oficial da Santa Sé “apresenta o rosto genuíno da igreja e os seus ideais de liberdade”.

O artigo inicia com a encíclica do Papa Francisco, a 24 de maio de 2015, Laudato si’, que revelava a sua preocupação com o ecossistema e a sua proposta de “solidariedade entre gerações”, apelando ainda à preservação do património natural que “é na verdade um empréstimo que cada geração tem para receber e transmitir para a próxima geração”.


Na publicação é descrito que em boa verdade ao longo da história os valores da natureza, como a harmonia, a paz, o silêncio e a beleza, foram reconhecidos e valorizados. Exemplo disso é a Mata Nacional do Buçaco, uma “floresta de beleza incomparável que se localiza no norte da Serra do mesmo nome, na região da Beira Litoral, no Centro de Portugal. Tem 105 hectares de colinas íngremes, afloramentos rochosos e vales profundos e húmidos, cheios de vegetação frondosa. Este espaço foi criado pelos frades carmelitas descalços. Em 1628, no meio da floresta, foi a pedra o elemento fundamental para a construção de um pequeno e humilde convento consagrado à adoração da Santa Cruz e erguido um muro alto que recintava toda a propriedade”.

A importância das duas Bulas Papais da Mata do Buçaco (presentes no miradouro das Portas de Coimbra), é uma referência ao longo do artigo. Estes elementos gravados em pedra datam de 1622 e 1643 e ditavam as principais regras da Mata: interdição da entrada de mulheres nos conventos carmelitas e, portanto, também no Convento de Santa Cruz do Buçaco, sob pena de excomunhão, (“latae sententiae”), a todas as que lá se introduzissem; e sentença de excomunhão (“ipso facto incurrenda”) para quem destruísse árvores e apanhasse madeira.


As Bulas são uma prova do interesse da prática humana e secular da igreja no sentido da custódia de valores materiais e imateriais ligados à natureza, conforme é referido no L’Obsservatore Romano. Com isto, Portugal torna-se pioneiro nas causas ecológicas integradas.


A publicação termina com um louvor a este local: “
A Mata Nacional do Buçaco Serra, lugar mágico de grande valor natural e rica em história, arte, cultura e espiritualidade, é prova de como um património natural, com sua dupla dimensão, material e imaterial, é um tesouro precioso que cada geração Ele deve passar para as gerações futuras.

Artigo: http://www.fmb.pt/v2/images/a_fundacao/press_release/QUO%202015%20165%202307%2000005.PDF

No site do jornal:

http://www.osservatoreromano.va/pt/news/um-tesouro-na-floresta

quinta, 05 julho 2012 16:48

Concertos na Mata

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Concertos na Mata

quinta, 05 julho 2012 16:48

Apresentação Livro – Duendes na Mata

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Apresentação Livro – Duendes na Mata

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