Floresta Relíquia: o Adernal

 

Floresta Relíquia

É uma formação vegetal clímax de plantas autóctones que, segundo alguns autores, conserva as características típicas da floresta primitiva, antes da ocupação humana.
Ocupando apenas uma pequena fração, no extremo Sudoeste da mata, este local é bastante diversificado, albergando três habitats diferentes: o carvalhal de carvalho-alvarinho e carvalho-negral, o loureiral, dominado pelo loureiro, com presença frequente do medronheiro, folhado e do azevinho, e os ‘Adernais’, na encosta Sul e Sudoeste. O adernal é uma formação vegetal única dominada por adernos de grande porte arbóreo, estendendo-se desde a Cruz Alta até ao Passo de Caifás. Em alguns locais é praticamente puro, formando um bosque denso praticamente sem outras espécies arbóreas.
Entre as espécies subarbustivas domina a gilbardeira. Nas espécies trepadeiras são comuns a salsaparrilha-bastarda, uva-de-cão e a hera.

Fonte: Rosa Pinho, Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro

O Adernal

Beneficiando de um microclima muito particular e de escassa intervenção humana ao longo de séculos, foi possível conservar na Mata Nacional do Bussaco alguns habitats outrora mais abundantes, que hoje constituem a Mata Climácica. Esta vegetação relíquia convive com outros espaços importantes em termos de biodiversidade e de visitação, como o arboreto, os vales dos Fetos e dos Abetos e os jardins do Palace Hotel.
Na Mata Climácica, a par de louriçais e carvalhais conhecidos noutros locais do país, salienta-se um habitat ‒ o adernal ‒ cuja atual distribuição mundial se restringe à área da Mata Nacional do Bussaco.
O adernal constitui uma comunidade essencialmente mediterrânica, mas com forte influência atlântica, apresentando afinidade com outros habitats menos ameaçados. Trata-se de uma combinação vegetal em que o aderno assume porte arbóreo dominante.
Em alguns locais o povoamento de aderno é praticamente puro, formando um bosque com copado denso. Noutros, é acompanhado pelo medronheiro, pelo loureiro, pelo azevinho, ou mesmo por algumas espécies de carvalhos, a que se associam trepadeiras como a salsaparrilha-bastarda, a uva-de-cão, a hera e as silvas. O resultado cénico “requer as palavras todas e, estando ditas elas, mostra como tudo ficou por dizer”, como nos diz Saramago.
O estrato arbustivo é dominado pela gilbardeira, sendo também de salientar a presença de torga, tojo-molar, pilriteiro, azereiro, e menos frequentemente, de folhado.
O estrato herbáceo é dominado, nas zonas mais sombrias e frescas, pelo selo-de-Salomão, polipódios e umbigos-de-Venús. Nos locais mais soalheiros e secos encontramos a arenária, o arroz-dos-muros, o arroz-das- -paredes, a uva-de-gato e espécies congéneres.

Mais informações: 

Flyer informativo sobre o Adernal 

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